banda KrowFotos: Gracielle Fonseca

Os shows mais empolgantes do Metal Land Festival 2015

Não importa se é banda grande ou pequena, se tem nome ou se é do underground, se é de thrash ou folk metal.  Para a gente o que importa é o grau de diversão. Aliás, essa coisa limítrofe de que quem curte black metal não pode nunca nessa vida curtir metal melódico já é algo que está mais do que ultrapassado. Os grandes festivais de metal estão aí para mostrar que essas barreiras de gêneros e subgêneros musicais não precisam existir. Sempre existirão preferências, entretanto. Mas a melhor coisa a se fazer é abrir os ouvidos o máximo que se conseguir. A vida é curta demais para você escutar apenas o De Mysteriis Dom Sathanas do Mayhem, ou apenas a discografia completa do Iron Maiden, e por aí vai – polarizei aqui só para ilustrar a brincadeira, gatenhos e gatenhas!

Mas o lance é o seguinte, teve show bom à rodo nesse Metal Land Festival, e com uma variedade de estilos que a gente já provou aqui no nosso data festivalando. O line up foi muito bem construído. Inclusive, não vi problema algum em ter presenciado shows como Armahda e Krisiun no mesmo dia. A organização mandou muito bem na hora de selecionar as bandas que estão fazendo um som muito interessante no metal brasileiro atual.

A sexta feira

Com um público reduzido, pois a maior parte ainda estava por chegar para os demais dias de festival, os shows ficaram um pouco esvaziados e mornos. As primeiras bandas, Circle of Infitnity e Funeratus sentiram isso. A primeira fez um show bem burocrático e pouco à vontade com o palco. Já a segunda aglomerou mais público e conseguiu trazer um repertório um pouco mais animado, com mais presença de palco e carisma. Necrofobia talvez tenha sido a banda que mais trouxe pessoas para o palco Dimebag nesse dia. O thrash metal do grupo agradou e fez as pessoas mosharem mais do que se esperava, para aquela sexta que tinha começado bem mais ou menos. O pedacinho de um cover do Sepultura também foi um brinde bem recebido.

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Porém, apesar de o concerto do Necrofobia também ter sido muito massa, destaco como ‘a banda da noite’ o grupo do triângulo mineiro Uganga. Muita gente talvez discorde, pois foi um dos shows mais vazios, devido ao horário, eu imagino. Mas por onde a banda passa costuma deixar a coisa bem animada, pelo que se pode acompanhar em resenhas e vídeos por aí. Na verdade, apesar de conhecê-los desde 2008, só agora vi um show ao vivo dos caras. E o destaque vai pelo fato de terem lançado recentemente um dos melhores álbuns do metal brasileiro atual – thrashcore, caso queiram ser puristas e encaixar os caras em uma etiquetazinha.

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Uganga

Opressor é um álbum foda, e representou a maior parte do set list da banda, que tocou apenas 2 músicas do álbum anterior:Fronteiras da tolerância e Asas Negras, não menos interessantes. A banda demonstrou um som muito potente e bem executado ao vivo. Muito respeito pelo trio de guitarristas que fazem um som cheio, bonito.

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Mas, mais respeito ainda pelo baixo de som limpinho e muito estratégico em várias músicas, tocado de forma bem competente pelo Ras. Marco também demonstrou ser um grande baterista, não ficando nem um pouco à sombra do irmão, Manu Henriques, que já foi baterista da lendária Sarcófago e hoje assume com competência os vocais do Uganga. Tá aí um show que muita gente deveria ter visto, e um CD que precisa ser escutado – corram para entender as complexas nuances de Opressor.

O sábado

Para muitos, era ali que o Metal Land Festival começaria de verdade. Project Black Pantera e Nekrost fizeram boas apresentações, mas vi meio que de quebra e não posso comentar muito, pois estava almoçando e dando conta de outros afazeres. A inauguração dos shows no palco principal ficou por conta do Voodoopriest, uma das bandas mais esperadas. A energia de Vitor Rodrigues, já conhecido de metais passados pela atuação no Torture Squad, levantou a galera, que se reuniu mas logo se dispersou em função de um pé d’água que caiu bem na hora do show. Parece que retomar a história indígena e o triste massacre dos índios no Piauí, muito bem retratado pelo album Mandu – um cd que se você ainda não ouviu, precisa fazê-lo – fez o céu chorar sobre a lembranças dos indígenas dizimados. Mesmo debaixo de chuva, muita gente não fugiu ao mosh molhado.

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Armahda

Outro destaque foi o show da banda Armahda. O repertório passeou pelo heavy metal tradicional e sonoridades brasileiras. Muita gente cantou junto e se divertiu bastante. Mas, a leva de shows arrebatadores estava por vir. Claustrofobia que o diga. A banda não deu sossego para nenhum headbanger, com músicas e riffs alucinantes do início do show ao fim, bem como uma performance “sangue nos olhos” em cima do palco. Ou seja, pancadaria total, mosh, e tudo mais ao som de peças importantíssimas dos álbuns “Thrasher”, “Fulminant” e “PESTE”. Um show e tanto. Quem ainda não viu os caras ao vivo, digo que deve fazer isso urgentemente.

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Claustrofobia

Em seguida, outro show fantástico, brutal e tudo mais ficou por conta do Krisiun, um dos nomes mais importantes do metal nacional da atualidade. A chuva não dava trégua, mas servia de combustível para a insanidade geral. Os bangers não eram de açúcar, e não mediram esforços para ajudar a banda a forjar a fúria ao vivo. O novo álbum, um dos mais impecáveis e maduros da banda de death metal foi bem representado no set list do show. Mas os clássicos antigos como Combustion Inferno e Kings of Killing deram a pitada que os fãs pediam.

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Krisiun

Como eu estava fazendo algumas entrevistas para um podcast que vocês vão escutar aqui em breve, perdi a grande apresentação de um dos ícones do metal pioneiro no Brasil, o Centúrias. Me ligo em velharias e não queria ter perdido o show. Mas não rolou, infelizmente só escutei de longe e saquei que passearam bem pela história clássica da banda.

Pra fechar o dia, não há como não ser empolgante, mesmo eu tendo assistido ao show 32832838 vezes na vida, e mesmo que o set list de comemoração dos 30 anos pudesse ser melhor do que é, Sepultura é Sepultura, até tocando pedaços de MPB e Reggae, para celebrar as partículas olfativas de uma substância que agrada a jah e estava bem misturada ao oxigênio da fazenda Vale das Grutas. Um show e tanto, por parte dos fãs e da banda. Troops Of Doom, Territory, Roots, Arise, Refuse Resist e todo o resto para deixar pescoços fora de eixo.

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Sepultura

O domingo

Em clima de festa, dediquei parte do meu domingo às jabuticabas e à pisicina, não conseguindo ver todos os shows. Mas dos que vi, preciso destacar sem vergonha alguma de fazer um lobby mineiro ( mais uma vez ) as apresentações da KroW e Tuatha de Danann. Estilos completamente diferentes, but I’m a free bitch, então, foda-se. Curto o som das duas bandas da mesma forma.

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Tuatha de Danann

O Tuatha se apresentou primeiro, tocaram o álbum novo e mostraram que estão de volta em boa forma. A banda é uma das mais originais no estilo, cultuada por fãs internacionais – tem até um doidinho irlandês que vive me mandando música deles no facebook. Uma graça.Com algumas brejas – e o vocalista Bruno Maia, cheio de carisma e álcool que o diga, o show da banda fica melhor ainda. Trova di Danú e o novíssimo Down Of a New Sun foram a trilha sonora para alegrar e o ambiente. Na verdade, talvez uma das bandas que estivessem em maior sintonia com o lugar do festival, caso a gente recorra aos clichês da natureza, da coisa quase hippie e tal. Foi festa, foi cantarolagem e gente encantada embaixo da chuva.

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Tuatha de Danann

E o KroW, como sempre, passa sapateando na cara de muita gente. Acho que foi uma das únicas bandas do palco Dimebag que não precisou ficar martelando ” oh gente,sai da piscina, vem cá, vamos ver o show…”. Não. O KroW realmente não precisou de testar os canais de comunicação com os bangers. Ao som do primeiro riff e, até mesmo antes, já havia um monte de gente que fez o índice demográfico daquele palco bater recordes nesta edição do festival. Um show com setlist muito bem montado, ótima performance da banda toda, mas destaco a bateria nervosa e o vocal insano. Pensando na apresentação que vi da banda no Rock in Rio desse ano, acho que deram o mesmo sangue. Ou seja, quem não foi ao Metal Land perdeu mais essa. Escutar ao vivo de novo várias faixas lindas de um dos meus discos preferidos produzidos por eles, o Traces of The Trade, foi muito massa. Segundo show de muitos que ainda quero ver da banda! KroW regaça!

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KroW

Fúria Inc fez um show que me surpreendeu, pois tinha cara de banda de thrash moderno de estúdio e só. Mas foi uma ótima apresentação. Banda bem legal que vou ouvir mais depois. E nesse dia ainda tinha muita coisa sensacional para ver. Soulspell já chegou marcante, cheio de vozes lindas e um som tão cheio de coisas quanto o palco estava cheio de gente.

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Fúria Inc

Soulspell

Soulspell

Mas, um dos mais esperados era mesmo o Tim Ripper Owens, que cantou clássicos e mais clássicos do Judas Priest e algumas produções próprias. Ouvi Metal Gods, Painkiller e outras canções execuadas por duas vozes oficiais do Judas agora, confesso que gosto de ambas. Tim Ripper tb é puro carisma e educação, para além de técnica.

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Tim Ripper

Por fim eu vi Matanza , Executer e Andre Matos. O Metal Land me apresentou ao Matanza ao vivo. Tá aí uma parte daqueles desafios que vivemos lançando por aqui, de ver um show que você nunca tinha visto, até mesmo de uma banda pela qual você tinha certo preconceito. Agora posso dizer que não tenho mais preconceito contra o Matanza. Só pós conceito. E o conceito é que são uma banda de palco, de show e de galera. Continuo sem querer ouvir os discos em casa.

Executer foi um showzaço. Thrash clássico para embalar moshs ligeiros. Andre Matos também foi destaque pela sua relevância, por ter fãs fiéis cantando todas as músicas bem executadas pela banda, mas também por uma curiosidade: Andre, o que rolou com sua voz, migo? Tava meio complicada naquele dia viu… meio estranho, principalmente para quem ficou mais à frente e escutava detalhes meio constrangedores de algumas notas ( e não sou truezona pegando no pé, pois gosto muito do trabalho do Andre desde os tempos de Viper). Mesmo assim, muita gente se divertiu.

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Se eu pudesse resumir o sentimento após os shows do Metal Land em uma foto ( mesmo que ela não tenha tanta qualidade assim, uma vez que não sou fotógrafa), eu escolheria essa foto aqui. O line up do festival deixou bangers admirados, já saudosos e imaginando quando vai ser a próxima edição.

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Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer com 2 colegas um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário sobre as Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Foi por paixão também que larguei um emprego público, para me aventurar pelo mundo dos festivais com a Pri.

4 comments

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  1. Thamiris 7 novembro, 2015 at 19:26 Responder

    *Andre Matos e não André Mattos. E sim, você tem razão. No começo do show a voz estava bem ruim, mas depois da garganta aquecida, a voz soava maravilhosamente bem.

    • Gracielle Fonseca 8 novembro, 2015 at 12:25 Responder

      Obrigada, Tamires. Corrigindo neste momento. Quanto à voz do artista, assisti ao show até o final. Os problemas permaneceram, pelo menos aos meus ouvidos – o que é uma pena, pois acho ele muito talentoso. Adoro as composições. O acompanho desde que o Theatre of Fate caiu em minhas mãos e já assisti a vários concertos – Angra, Shaman, Viper no RIR 2013. Um beijo e obrigada!

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