ForCaos 2015. Foto: Victor Rasga

Os shows destaque do ForCaos 2015

Esse não será mais um post ou matéria mimimi de “cadê os grandes nomes do ForCaos“. Não vai ser, pois não acredito que faça sentido em um país tão grande como o nosso, um monte de banda boa do underground perder espaços importantes para dar lugar a quem já tem o nome feito. O ForCaos é, em sua essência e história, um festival do underground.”O público merece grandes nomes” vai ser sempre um argumento. Válido, inclusive. Mas o público também merece exercícios de audição, merece ter a criatividade estimulada. E muitas vezes, um festival sem grandes nomes pode ser uma ótima oportunidade para isso.

ForCaos 2015. Foto: Victor Rasga

ForCaos 2015. Foto: Victor Rasga

Aliás, inflar com grandes nomes é caracterísitco de alguns gigantes europeus. Cada festival tem sua estratégia,na verdade. O Wacken e Hellfest brigam de frente trazendo ambos as estrelas do metal, o Sweden investe nas bandas dos anos 80, principalmente de AOR, e por aí vai. Cada festival tem que ter uma pegada. Algumas circunstâncias, no entanto, acabam por moldar os formatos que os festivais ganham, e não é sempre que as bandas de cachês de muitos zeros podem ser trazidas. Muitos dos gigantes também mesclam as estrelas com os nomes menos conhecidos.

ForCaos 2015. Foto: Victor Rasga

ForCaos 2015. Foto: Victor Rasga

Mas isso torna o festival pior ou menos importante? Acredito que não. Ainda mais quando gratas surpresas acontecem durante os shows. E não teve um dia sequer de ForCos com que eu não me deparasse com um show muito empolgante! E para dividir com vocês, a gente dá uma pincelada em cada um dos dias de festival nos destaques musicais. Bora lá?

Dia 1

O primeiro dia foi assim, 1,2,3,4 e paulada na cabeça. O dia mais punk do festival trouxe bandas já consagradas no Underground, como Pastel de Miolos e Thrunda, responsáveis pelas rodas de pogo mais insanas da abertura do festival, e também pelos refrões e palavras de ordem que não saem da cabeça. Foi preciso desligar o cérebro do modo repeat em “Desobediência civil”, da P.D.M e “Nunca confie num homem de terno e gravata” da Thrunda. Sou suspeita para falar de punk rock, pois gosto demais da conta desse negócio. Mas é preciso dizer que essas duas bandas foram imprescindíveis para dar aquele sentimento festivaleiro de ” Nó! Que du caralho esse festival!”.

O Mercado Negro também fez um show honesto, mostrando a pegada diferente do estilo metal rap core que abraçaram como causa musical. Apesar de se auto rotularem como uma banda fora de forma, mostraram paixão pelo que fizeram e conquistaram a plateia com os clássicos do “Guerra de Classes”.

Mas, o destaque absoluto, na minha humilde opinião, em quesito de performance e irreverência foi Glauco King & the West Wolves. Só havia me divertido tanto em um show na apresentação feita pelo The Darkness no Sweden Rock desse ano. Genial, Glauco e seus comparsas. Continuem porque a coisa é por aí!

Dia 2

Um dia mais eclético, apesar de ter muito peso. A abertura para o rock alternativo, metalcore e heavy metal trouxe artistas muito bacanas pro palco do ForCaos. Um dos destaques para mim foi a apresentação da Nafandus, banda liderada pela Claudine Albuquerque, a única mulher musicista que subiu ao palco do ForCaos deste ano – aqui fica um puxão de orelha para a produção: vamos tentar equilibrar a presença masculina e feminina nos palcos, galera! O vozeirão da Claudine e sua presença de palco foram marcantes, e a banda toda mostrou que tava curtindo muito tocar. Um show e tanto.

Depois, era impossível ignorar a gritaria e a multidão que se formou para assistir aos cariocas da banda Maldita. Tenho que confessar que a banda me encheu de porquês e eu gosto muito quando uma banda me provoca isso: ” por que tanta gente?”, “por que tanto grito”, “por que hora pegada rock industrial, hora baladinha?” , ” por que dois vocalistas”, ” por que jaqueta de couro em Fortaleza?”, ” por que choro e garotas se descabelando em uma fila?” – tenho que confessar, por mais controversa que pareça essa minha afirmação, bendita Maldita, gostei! Existe algo arrojado sendo lapidado naquela banda, apesar de ainda tomarem alguns caminhos pouco compreensíveis para a maioria.

In No Sense é daquelas bandas que você para e baba na bateria. O cara é um monstrinho e a banda mostrou que aprendeu a lição na escola do metalcore. Galera pulando demasiandamente: check; breakdown nas músicas: check; vocalista que parece que tá na academia enquanto no palco: check! 😉

A coldness fechou a noite com heavy metal e virtuosismo. Mandaram bem.

Dia 3

Para tudo! Dia inesquecível de ForCaos. Os shows aconteceram no anfiteatro do centro de arte e cultura Dragão do Mar, que tem uma estrutura de teatro mesmo, com cadeirinha e talz. Mas ninguém ficou sentado por muito tempo, pois o que comeu solto foi o death e thrash metal, visceral, insano e lindo como tem que ser. Bones In Taction e Encéfalo abriram a noite dando o tom que ela ia ter: bem pesado!

Quem fez a molecada pirar no mosh pit, fazendo dois dos melhores shows do festival foram a Betrayal e os meus conterrâneos da Deathraiser. Para esses últimos, dedico também o troféu xampu and melhor coreografia banger, hehehe.

Outro destaque ficou por conta da banda de death metal Obskure, uma das precursoras do metal no Nordeste. Um show muito técnico e que passou por músicas de trabalhos icônicos desses 20 e tantos anos de carreira – foi muito massa ouvir músicas do Dense Shades Of Mankind ao vivo.

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Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer com 2 colegas um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário sobre as Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Foi por paixão também que larguei um emprego público, para me aventurar pelo mundo dos festivais com a Pri.

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