Raul Aragão/I Hate Flash

O festival da geração MTV

Eu sou da idade do Rock in Rio, o festival brasileiro mais longevo. Mas as muitas ausências, idas e vindas até antes de 2011, com edições mais que esporádicas por aqui e fuga para a Europa, não criou em mim o mesmo imaginário presente nas gerações que viram o festival nascer. O Hollywood Rock e o Free Jazz/Tim Festival morreram antes da hora e nem me deram tempo de criar algum tipo de laço.

O Lolla, olhando agora em retrospecto, sempre foi do tipo “tão longe, tão perto” pra mim. Nascido no incio dos anos 1990, era sempre notícia na MTV que tanto ocupou meu tempo livre na adolescência. Levou 21 anos para chegar até o Brasil, mas sempre soube da existência dele, aquele evento com um nome gozado feito pelo cara que cantava no clipe de “Been Caught Stealing”.

E como a própria MTV, que tanto deu espaço ao festival e tem sua filial por aqui, o Lolla também ganhou sua filial, retomando sua natureza itinerante dos anos 1990 justamente nas bandas de cá do Equador, quando a partir de 2011 ele passou a acontecer também na América do sul – primeiro no Chile, depois no Brasil e agora também na Argentina (nos Estados Unidos, o festival fixou raízes em Chicago em 2005, após amargar hiato imposto por fracasso comercial entre 1997 e 2004, mas no início da década de 1990 ele rodava por cidades americanas).

Com um radar afiado, o festival já nasceu colocando sob sua guarda o rock alternativo que a MTV ajudava a catapultar naquele início de década e continua assim até hoje, ainda que a gente que assistia MTV para saber o que havia de novo agora recorra aos .com da vida. O Lolla tem timing de programação – vide Lorde e Jake Bugg, apresentado-se por aqui em plena ascensão, sem deixar de lado quem é velho de guerra, mas ainda tem algo a dizer com dignidade (e que também ajuda a segurar o line up e atrair mais público) – veja o caso de Pearl Jam e Foo Fighters, por exemplo.

Essa, pra mim, é a cara do Lolla e o melhor do festival: tem essa atmosfera de frescor e novidadeira que dialoga bem com quem cresceu consumindo música vorazmente, primeiro pela TV e depois na internet.

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora também coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Além de uma das mães do Festivalando, sou colaboradora da Mixmag e do Brasil Post e autora do Porque eu gosto de música. Também ajudei Paul McCartney a falar uai em pleno Mineirão.

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