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#Playlist: Você lê as letras miúdas dos lineups de festivais?

A pergunta que dá título a este texto é praticamente retórica. Resistimos a ler as letras miúdas de contratos com implicações sérias para nossas vidas ou os termos de uso de sites que se apossam de nossos dados pessoais e até da alma pra fazer sabe-se lá o quê. Então, por que a atenção estaria focada nas letras pequetitas dos lineups de festivais? Ainda mais quando estrelas reluzentes lá no topo – os headliners – ofuscam a nossa visão com tanto brilho…

Tem que ver isso aí!

Não é a primeira vez que o assunto é abordado no Festivalando. Mas as reações aos lineups de festivais divulgados nestes primeiros dias do ano obrigam um retorno ao tema.

Precisamos de lentes melhores pra enxergar a realidade

Começou o ano, veio uma enxurrada de lineups e junto com ela um comentário recorrente: mas está tudo iguaaaaaal!

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De fato, tem um monte de figurinha repetida: Muse? Eminem? Killers? Ozzy? Vai ser um desafio ir a um festival este ano e não ver um show de uma dessas bandas. Spoiler: vai ser assim no ano que vem, no outro e enquanto for mantido esse formato e essa indústria de festivais como a conhecemos hoje.

Há festivais demais para artistas de menos capazes de atrair multidões e segurar a bilheteria. Não há opções o suficiente, e dentre as opções, nem todas estão disponíveis o tempo todo. Fora isso, algumas poucas grandes corporações dominam o mercado, tendo como consequência a repetição. E como todo mundo dança conforme a música, muitos artistas hoje alinham suas turnês com a temporada de festivais, e acabam fazendo um “tour de festivais”.

Mas isso não quer dizer que está absolutamente tudo igual. Atrações idênticas não resultam em festivais idênticos. Como a gente cansa de falar aqui, eles hoje extrapolam tanto a música, envolvem tantas dimensões, que festivais são diferentes até quando são aparentemente iguais.

O que está igual é apenas aquilo que brilha mais forte diante dos nossos olhos, as estrelas reluzentes ditas no início do texto. Do meio pra baixo, há bastante diversificação.

Há quem diga que essas letras miúdas são só encheção de linguiça. Mas é justamente a combinação delas com as atrações principais que ajuda a criar a configuração musical daquilo que chamamos de festival, dentro do entendimento que se tem hoje do que é um festival.

Tire todas as atrações da segunda ou terceira linha pra baixo, fique só com uns três ou cinco nomes e você terá uma noite especial de shows, mas não um festival.

Assim como nos remédios, as letras de bula dos lineups de festivais têm informações preciosas

Um festival, mais que uma combinação de atrações grandes e pequenas, dentre várias outras coisas, é também um lugar para conhecer bandas novas. É um dos grandes clichês festivaleiros, mas só virou clichê pela grande verdade que carrega. Tenho bandas do coração hoje que só conheci porque “esbarrei” nelas nos festivais da vida. Certamente um festival não é o único lugar pra se ouvir coisa nova, mas não sei se eu teria conhecido exatamente essas bandas em outras circunstâncias.

A Gra também já contou de uma experiência no Roskilde Festival com a banda islandesa Vintage Caravan – a primeira vez que o assunto das letras miúdas foi abordado aqui, ocasião em que ela veio com o ótimo termo “letra de bula” pra caracterizar as atrações menos conhecidas dos festivais. Ela não deu bola para a banda quando viu o lineup. Só viu um pedacinho do show porque, por acaso, passou pela tenda onde a banda se apresentava.

Depois de um tempo, eles vieram tocar em BH e ela decidiu ver. Foi um show marcante, insano. Ela teve uma segunda chance de assistir de perto uma banda em um show memorável, mas nem sempre o destino presenteia a gente com essas oportunidades.

Não deixe a chance escapar nos festivais. Nunca se sabe o que pode acontecer amanhã, e não é só de uma nova chance do destino que estamos falando…

A letra miúda de hoje é o headliner de amanhã

Quem hoje não é ninguém na fila do pão pode virar o headliner que faz seus olhinhos brilharem amanhã. Quer exemplos?

Olha o lineup do Coachella 2004. Veja onde está o The Killers. Você daria algo por eles? Muse, LCD Soundsystem e Black Keys também não têm destaque, mas o Killers “ganha” de todos no quesito pequenez.

lineups de festivais

E o que dizer de David Guetta e Amy Winehouse? Hoje um DJ super star e um mito imortal, respectivamente, em 2007 eram apenas Zé Ninguém e Maria Ninguém, lado a lado em mais um lineup do Coachella.

lineups de festivais

The XX e Marina and the Diamonds também um dia foram só mais alguém na multidão de bandas “pra encher espaço” no lineup. Veja só o lugar que ganharam no Reading Festival de 2009:

lineups de festivais

Prepare os óculos e ouvidos porque chegou a hora de ler e ouvir as letras de bula

Por tudo isso, este ano o Festivalando vai ter no Spotify uma playlist inteiramente dedicada às letras de bula dos festivais. É uma fração muito pequena dos inúmeros artistas ofuscados pelos headliners, mas um recurso legal pra gente (sim, nós nos incluímos nesse grupo) distribuir melhor nossa atenção ao olhar um lineup.

Ela vai ser atualizada pouco a pouco ao longo do ano. Para acompanhar as atualizações é só seguir o Festivalando no Spotify.

PS: não somos hipócritas, também nos deixamos levar pelos headliners e eles também têm uma playlist dedicada este ano 😛

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

2 comments

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  1. Renanesteves Esteves 24 Janeiro, 2018 at 02:30 Responder

    Justice no Coachela 2007 estava nas últimas linhas, e dez anos depois foi um dos principais nomes do Lolla Chicago 2017. Sempre costumo ler esses últimos nomes, mas a chance de algum nome brotar como atração principal em algum festival daqui a uma década é remota, mas existe.
    O layout do log in mudou? Não achei o item pra logar direto em minha conta. Vi que agora está com uma outras opções de contas pra você comentar.
    Você curte anos 90, Pri? Estou com um programa de anos 90 numa rádio web chamada Cult FM. O negócio é bem variado, e acho que você vai curtir. Minha estreia foi na semana passada. Meu programa rola todas as sextas, às 22 horas. Se tiver tempo, dê uma escutada. Mas sempre disponibilizo no meu mixcloud pra quem perdeu os horários.
    http://radiocultfm.com/
    https://www.mixcloud.com/90porhora/

    • Priscila Brito 24 Janeiro, 2018 at 10:23 Responder

      Ei, Renan! Realmente, uma porção muito pequena das letras miúdas vai virar alguém na fila do pão no futuro, mas achei muito legal esse exercício de pegar lineups antigos e ver quem conseguiu crescer de lá pra cá. Sobre o login, rolaram algumas mudanças no Festivalando+; mandamos um e-mail na quinta passada pra explicar. Se eu curto anos 90? Eu cresci nos anos 90, como não amar? Vou ouvir o programa. Parabéns por este espaço no rádio!

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