Fotos Priscila Brito e Gracielle Fonseca

Festivais na Europa e América do Sul que valem (também) pela paisagem

Nessa brincadeira de Festivalando, em menos de um ano, eu já conheci nove países, alguns dos principais pontos turísticos do mundo e um bocado de belas paisagens. Normalmente conheci tudo isso no tempo livre dos festivais, separado para a turistagem básica, mas houve casos em que o próprio festival me proporcionou algumas das melhores vistas da viagem.

Em alguns casos nem era intencional – o festival simplesmente tinha o privilégio de estar localizado aos pés de um cartão-postal. Mas constatar isso me fez reforçar a convicção de que vale, sim, e muito, fazer turismo para festivais por conta de surpresas como essa. Quando você chega em um festival, nem sempre você encontra um campo de terra ou lama no meio do nada (apesar de alguns serem exatamente isso). Às vezes você encontra isso:

Sabana de Bogotá
Festival: Estereo Picnic
Onde: Bogotá, Colômbia
Quando: normalmente em março

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Quando você caminha por Bogotá tem sempre a companhia do Cerro Monserrate na linha do horizonte. Quando você ruma para o norte da cidade, para ir ao Estereo Picnic, no parque Deportivo 222, se depara com a porção oposta das cadeias de montanhas que circundam a capital colombiana. Neste ponto, especificamente, você vai estar na Sabana de Bogotá, uma sub-região do altiplano mais extenso dos Andes colombianos e o centro geográfico da Colômbia.

As montanhas ficam nos pés do parque Deportivo, e o palco principal tem esse cartão postal como cenário de fundo. O friozinho dos mais de dois mil metros de altitude da região ajuda a formar uma bela de uma combinação (e olha que amei e aprovei tudo mesmo sendo fã de um calorão, hein?).

Leia mais sobre o Estereo Picnic e a Colômbia

Cordilheira dos Andes
Festival: Lollapalooza Chile
Onde: Santiago, Chile
Quando: normalmente em março

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A imponência dos Andes permite que você os aviste de diferentes pontos da capital chilena e um deles é o parque O’Higgins, onde acontece o Lollapalooza Chile. Para ficar ainda mais bonito, é do o vasto gramado onde o pessoal costuma ficar para descansar, ver os shows numa boa ou para fazer um piquenique onde a vista deles surge. Além disso, enquanto você tiver que ir e voltar para cruzar a principal área de fluxo do festival, onde ficam os dois palcos principais, você vai se deparar com eles. E não é sempre que você pode ostentar que viu o Skrillex tocar com os Andes ao fundo, né?

Leia mais sobre o Lollapalooza Chile e o Chile

Forte Josevof
Festival: Brutal Assault
Onde: Jaromer (distrito de Hradrec Králové), República Tcheca
Quando: agosto

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Aqui o foco deixa de ser a natureza para ser a arquitetura. O Brutal Assault, festival de heavy metal, acontece em Josevof, um forte militar construído no século XVIII para proteger a região da Boêmia das invasões da Prússia. Os shows acontecem nas áreas externas, cercadas pelas muralhas da construção, e as demais atividades acontecem nas estruturas internas, o que te permite ter a experiência de estar dentro do mesmo local onde os militares boêmios bolavam suas estratégias.

Dá para beber na casa de chá armada dentro de um bunker ou participar de um meet and greet e ver uma exposição caminhando pela estrutura labiríntica do local (em alguns pontos só é permitida a saída, e em outros só a chegada. Acho que fazem isso pra evitar do pessoal se perder rs). Tem cenas pitorescas e fofas também, como avistar as ovelhinhas pastando no alto das construções (e a galera subindo pra ver como é a vista lá do alto).

Leia mais sobre o Brutal Assault e a República Tcheca

Lago Léman
Festival: Montreux Jazz Festival
Onde: Montreux, Suíça
Quando: julho

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A Suíça evoca aquela imagem clássica dos alpes cobertos de neve, mas ela pode ser também maravilhosa (e quente pra caramba) no verão e a razão disso é o lago Léman e toda a região que ele margeia, a riviera, que inclui Montreux. A pequena cidade, com seu relevo acidentado, também foi presentada com os alpes em sua paisagem, mas é la na beira do lago que a magia e o tradicional Festival de Jazz de Montreux acontecem.

Com muitas atrações gratuitas e espaços de livre circulação, o festival faz do lago e sua margem uma varanda de luxo. Os bares são instalados com vista para o lago; idem para os shows gratuitos que acontecem no parque Vernex. Dentro do Centro de Convenções, onde rolam os shows pagos, dá para ter uma vista panorâmica lá do alto, em um lounge bem sossegado armado na área de convivência do Auditório Stravinsky.

Leia mais sobre o Montreux Jazz Festival e a riviera suíça

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

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