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As expectativas para os festivais brasileiros em 2018

Querido Papai Noel, assim como em outros anos, nos comportamos muito bem aqui no Festivalando. Fomos a muitos festivais no Brasil e no exterior, ajudamos as pessoas com informações úteis e precisas, respondemos as principais dúvidas, apontamos os erros e elogiamos os acertos dos festivais. Queremos continuar viajando muuuito pra festivais e que eles sejam cada vez melhores. Como fazer pedidos pros festivais no mundo inteiro pode ser demais pra você, vamos nos concentrar apenas em pedir umas coisas boas para os festivais brasileiros em 2018:

Que os festivais importados parem de deixar a gente no vácuo

Queridos festivais gringos que resolvem vir se aventurar no Brasil: se vocês querem se divertir com a gente por uma noite e nada mais, ao invés de construir um relacionamento duradouro, ok. Não há nada de errado. Mas sejam claros sobre isso! Não façam promessas falsas que iludem a gente e nos fazem esperar, esperar, esperar…

O EDC Brasil, aquela SUMIDA, depois de quase um ano sem atualizações nas redes sociais, mudou a foto de perfil no início de 2017. Atiçou nossa curiosidade, mas não disse nada sobre seu retorno. O Electric ZOO Brasil prometeu um anúncio em 4 de setembro. Mas já estamos aqui pensando no Carnaval e o festival ainda não soltou uma palavra.

O Tomorrowland disse que voltaria o mais breve possível, mas o silêncio já está se prolongando demais. Nem estamos considerando que o festival havia anunciado estar garantido no país até 2020 (caso semelhante do Sónar, que prometeu edições consecutivas até 2018, mas se debandou logo em 2015).

O momento que o país atravessa é difícil, e isso tem implicação direta em alguns dos casos citados, mas numa época em que a comunicação é tão fácil, direta e imediata, nada justifica a falta de um comunicado ao público, ainda que simples. Não pega bem ficar fazendo post só pra falar de venda de ingresso e aftermovie. De desilusão já basta as que a gente tem com os crushes, amigues.

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Que o Maximus volte

O Maximus surgiu em 2016 com uma estratégia muito bem definida. Em entrevista ao Festivalando, um dos organizadores disse que, no longo prazo, a meta era se tornar tão grande quanto o Hellfest, e passar do evento de um dia para um evento de três dias. A estreia foi redondinha e a data da segunda edição foi confirmada quando se encerrava a primeira. O mesmo não se repetiu em 2017, levantando a dúvida sobre a continuidade do festival.

O jornalista argentino Christian Acosta afirmou que detalhes sobre o terceiro Maximus seriam anunciados até o fim deste ano. Mas a espera continua. Como um festival que até então estava preenchendo bem a lacuna de um grande festival puramente rock, de perfil mais mainstream que alternativo, e com padrões e ambições mais elevadas, seria de se comemorar que o Maximus prosperasse.

Que o Ultra Brasil tome jeito (se tiver jeito…)

Em 2016, o Ultra Brasil lutou para sobreviver aos embargos impostos pela prefeitura do Rio ao local do festival, que mudou três vezes até os 45 do segundo tempo. No fim, com umas arestas aqui, outras ali, o festival aconteceu e funcionou. Neste ano, a expectativa era que ele voltasse melhor. Uma pontinha de esperança nesse aspecto surgiu quando o foram anunciados três dias de evento, ao invés de dois. Parou por aí.

Não estivemos lá (a concentração de festivais nos últimos meses nos obrigou a fazer escolhas). Mas os relatos de amigos, as resenhas nos sites especializados e os comentários nas redes sociais convergiram para um mesmo ponto: esta edição foi mais negativa ainda que a anterior.

Esses mesmos comentários e análises expuseram falhas gravíssimas e inaceitáveis para um evento que carrega uma marca tão bem consolidada como o Ultra Music Festival. Filas absurdas, atraso para abertura dos portões e consequente atraso dos shows, sets sendo interrompidos pela polícia e entrada liberada (!!!!) no melhor estilo nome na lista, em função das baixíssimas vendas de ingressos.

Em tese, o Ultra Brasil 2018 está incluído no calendário de eventos do Rio de Janeiro, mais precisamente em novembro, conforme informações divulgadas pelo Governo do Rio de Janeiro em setembro. Porém, o festival ainda não se manifestou a respeito oficialmente.

Se a informação do governo se confirmar, o Ultra Brasil terá um desafio imenso, que vai muito além de questões estruturais e financeiras. O festival vai ter que ser digno da confiança do público.

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Que o Zytrons não seja fogo de palha

Tio Medina anunciou um novo festival para 2018, o Zytrons. A proposta é ocupar por três fins de semana em outubro a Cidade do Rock com 24 atrações nacionais e internacionais, aproveitando uma parte da estrutura do Rock in Rio e agregando outras firulas, como pista de patinação no gelo, números do Cirque du Soleil e espaço de games.

Se vai ser bom ou não, só ao fim de outubro saberemos. Mas fica o desejo para que o festival estreie sem tropeços e se estabeleça para somar-se ao calendário de festivais do país.

Que o Millennium Festival dê minimamente certo

O tom era grandioso: imagens de grandes multidões, trechos do show do Paramore, trilha sonora rock ‘n’ roll e a promessa de seis dias + 120 bandas numa terra já sagrada para festivais no Brasil, a Arena Maeda (Itu), casa de SWU, XXXPerience e Tomorrowland. Era o vídeo promocional do Millenium Festival, postado em 2015, mas descoberto por um acaso apenas neste ano e a esta altura já retirado do ar.

No lugar, entrou um teaser mais simples e com ele veio a confirmação da data, do local e da duração do festival, além de outros detalhes. Ficamos sabendo que o festival já é planejado há sete anos. E que o lineup será composto por bandas pouco conhecidas e os palcos vão abrigar artistas de ~todas as tribos~. Rock, sim. Mas também sertanejo, rip hop (sic), dentre outros. Há ainda a promessa do anúncio de um readline (sic) em breve.

A cada novidade dessas divulgada, o público se manifesta com desconfiança. Não ajudou muito o fato de alguns sites terem descabidamente feito comparações com o Coachella e quase terem confirmado o Paramore no evento. Expectativa e realidade tomaram rumos completamente diferentes.

Diante disso tudo, o melhor é o ceticismo. Não acreditar (para não criar mais falsas expectativas) nem desacreditar (para não desmerecer o trabalho alheio). Mas fica aquele 1% de esperança de que as coisas funcionem. Porque, pelo que já deu pra entender no meio do blá blá blá todo desse texto, o que gente quer é festivais que deem certo.

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Que os festivais novos se estabeleçam

O Coolritiba (PR) já confirmou sua segunda edição, em maio. O Maniacs Metal Meeting (SC) realizou duas edições consecutivas (2016 e 2017). O Planeta Brasil (MG) voltou depois de um hiato de três anos e também engata duas edições consecutivas. O MECA parece estar acertando-se em Inhotim. O Coala segue firme. Que, muito mais que eventos trazidos pela onda de festivais, todos eles se juntem aos bravos e respeitadíssimos Bananada, MADA, Abril Pro Rock, Porão do Rock, Coquetel Molotov, Goiânia Noise, João Rock e tantos outros festivais brasileiros que aprenderam a navegar sozinhos faz tempo, estando a maré favorável ou não.

PS: Papai Noel, se for possível, em 2018, ensine os organizadores de festival que água de graça é imprescindível.

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

2 comments

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  1. Renan 11 dezembro, 2017 at 17:52 Responder

    Coisas que eu peço pra 2018: mais shows de bandas inéditas, festivais e shows com um preço mais acessível e sem aquelas famosas taxas de (in)conveniência, mas infelizmente estes dois últimos itens parecem ser utópicos. Uma coisa eu sei: já tem show indo pro Peixe Urbano e a gente agradece por poder comprar por um preço mais em conta. E queria pedir pro Papai Noel também que eu pudesse ser onipresente e ter mais grana pra ir em shows, hahaha.

    • Priscila Brito 12 dezembro, 2017 at 22:09 Responder

      Acho que a taxa de (in)conveniência só cai com uma lei nacional, porque o código de defesa do consumidor não tá sendo suficiente. A onipresença é o melhor dos presentes, hahaha Dinheiro a gente pode pelo menos tentar a mega da virada. Vai que, né?

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