Exodus e Anthrax falam sobre festivais: tem alfinetada no Wacken e ‘desejos’ de Rock In Rio

O Wacken pode não ser a Holy Land incontestável do metal, bem como o que faz um festival ser bom para uma banda pode ser algo mais simples do que se imagina. Ah, aquele lance da grama dos outros ser mais verde também vale para os gringos que estão doidos para tocar no Rock In Rio Brasil.Essas são algumas lições que Exodus e Anthrax nos dão no #podcast de hoje. Vocês já sabem a nossa lógica, né? Depois de nós do Festivalando, quem é mais rodada (o) em festival? Se a sua resposta foi “as bandas”, você ganhou uma estrelinha na testa;). E é por isso que, em todo encontro possível com as bandas, essas entidades essenciais para a existência de um festival, a gente tenta bater um papo sobre a experiência dos integrantes nesses grandes eventos.

Exodus em Belo Horizonte. Ph: Iana Domingos

Exodus em Belo Horizonte. Ph: Iana Domingos

O Exodus esteve em Belo Horizonte em janeiro, tocando no Music Hall. O baixista Jack Gibson foi uma gracinha de pessoa, nos recebeu e deu entrevista de bom grado. Ele abriu o verbo e soltou declarações polêmicas sobre o Wacken, bem como sobre o Metal Open Air e sobre os esquemas de produção aqui no Brasil. O Anthrax veio abrir os shows do Iron Maiden no Brasil, tocaram no mineirão em Março. Também rolou de entrevistar o guitarrista Scott Ian e o baixista Frank Bello. Foi muito massa estar frente a frente com os caras!

Anthrax em Belo Horizonte. PH: Iana Domingos

Ambas as bandas divulgaram os novos trabalhos, “Blood in, Blood Out” do Exodus é sem dúvidas um grande album, ainda mais executado ao vivo! E “For All Kings” do Anthrax também agradou. As bandas fizeram shows memoráveis pelo Brasil, deixando os fãs bem felizes, e já com saudades. A gente só espera que eles voltem rápido. Vale lembrar que Anthrax está entre os grandes headliners dos festivais de metal do próximo verão europeu, e o Exodus também entra nos palcos dos festivais de forma mais intensa a partir do final de julho e agosto.

Enquanto eles não voltam, bora ouvir o podcast com essas entrevistas cheias de surpresas. 😉

Para você que ainda tá precisando de uma forcinha no Inglês, a gente transcreve aqui o que os caras disseram nas entrevistas 😉

Entrevista com Jack Gibson, baixista do Exodus:

Exodus. Ph: Iana Domingos

Exodus. Ph: Iana Domingos

F: Qual o seu festival preferido no mundo?

J.G.: Agora acho que é o Hellfest, é um festival muito legal, e está ficando cada vez maior e maior, melhor e melhor. A gente fez ele duas ou três vezes, acho. E é muito legal, eu gosto. Também gosto muito do Sweden Rock, que é bem montado, Bloodstock, também é legal. O Wacken é um pouco bagunçado, para gente. Eles não tratam as bandas realmente bem. Eles só ficam nessa de “próximo, próximo!”, nos tratam como se estivessem fazendo um favor para a gente… por isso que a gente não tem tocado no Wacken já há um bom tempo.

F: Vocês já tocaram em um festival aqui no Brasil. Como foi a experiência.

J.G.: Ah, sim. Desculpe-me, não me lembro do nome… aquele em São Luís…Esse foi um desastre fodido! O dia que a gente tocou, realmente chegamos a tocar, mas o dia seguinte, tudo foi para o inferno. Daí a gente nem chegou perto, no dia seguinte, porque ouvimos o que estava acontecendo. Você sabe, às vezes aqui no Brasil as coisas são meio que “wild wild west”, muito bagunçadas, você não sabe o que pode acontecer.

F: Vi vocês no ano passado no Sweden Rock e no Hellfest. E aqui no Brasil, parece que o show de vocês é um pouco diferente. Não sei bem o motivo.

J.G.: As pessoas são loucas aqui! É simplesmente isso! Sabe, às vezes na América (eua), as pessoas são muito “cool” para se entregar, curtir de fato o show, ficar louco e tal. Todos os latinoamericanos ficam loucos com o nosso som, cara! E a gente ama isso!

jack gibson

F: Conte uma história peculiar, engraçada que aconteceu com vocês em festival, e que a gente possa publicar haha!

J.G.: Eu realmente preciso dizer que, o festival mais louco em que já estivemos foi esse em São Luis. Tudo desmoronou no meio do caminho, o festival desmoronando bem diante dos nossos próprios olhos. Tipo, quando o pessoal veio e tirou os banheiros do festival, a gente sabia que algo muito errado estava acontecendo. Os banheiros foram as primeiras cosias a serem retiradas. Daí foram os vendedores, em seguida, e aí não rolou mais festival, sabe?

F: Tem algum festival em que você ainda não tocou e quer tocar?

J.G.: Eu adoraria tocar no Rock in Rio! A gente tentou entrar no line up dele durante anos. Quase viemos tocar nele algumas vezes, falamos com as pessoas, mas por algum motivo não rolou. Esse é realmente o tipo de festival que eu quero tocar. Digo, é um grande festival e a gente ama o Brasil. É um dos nossos lugares favoritos!

Entrevista com Scott Ian, guitarrista do Anthrax

Scott Ian. Anthrax. Ph: Iana Domingos.

Scott Ian. Anthrax. Ph: Iana Domingos.

S.I.: Nunca tocamos em um festival aqui no Brasil. Nunca fizemos um Monsters of Rock, Rock in Rio…

F: Você gostaria de tocar em um deles? Qual deles?

S.I.: Sim, claro. Em qualquer um deles. Não sei muito a respeito, mas adoraria tocar.

F: Qual é o melhor festival no mundo, em sua opinião?

S.I.: A gente não tocou em todos eles, então… Eu não sei, não sei mesmo. Boa pergunta…

F: É… rsrs… Mas então, talvez enquanto audiência…

S.I.: Eu nunca estive em um festival como audiência. Sempre fui para tocar.

F: Então, fale de um festival que foi importante para o Anthrax.

Anthrax no Castle Donington 1987. Foto: Arquivo da banda.

Anthrax no Castle Donington 1987. Foto: Arquivo da banda.

S.I.:Não sei. É difícil de dizer. Ahh, quando tocamos no Castle Donington, em 1987, talvez aquele tenha sido o mais importante, porque foi o maior show que havíamos tocados, naquele tempo. Então, fomos colocados à frente de um público gigante, foi um grande show. Fez com que a gente ficasse realmente grande no Reino Unido, naquela época. Tocar nas edições do Sonisphere festival, também no Reino unido, valeu a pena. Foi muito divertido. A gente fez um show especial no Sonisphere UK, dois verões atrás. A gente tocou o album “Among the Living” todo. Fizemos dois shows nesse Sonisphere – um no palco principal, e outro em uma tenda, para mais de 10 mil pessoas. E a gente só tocou o “Among the Living”, só aquele album, do início ao fim. E foi muito legal, pois foi o único momento em que a gente fez aquilo, e foi muito divertido, eu estava muito louco. Diverti-me muito fazendo aquilo.

Entrevista com Frank Bello, baixista do Anthrax

Entrevista com Frank Bello, baixista do Anthrax. Ph: Iana Domingos.

Entrevista com Frank Bello, baixista do Anthrax. Ph: Iana Domingos.

F: Você costuma ir aos festivais como público, tipo, só para ver as bandas e tal?

F.B.: Não, não em festivais. Digo, de vez em quando. O último festival que fui foi na Austrália, quando fui ver o AC/DC tocar três anos atrás. Foi muito bom!Eu realmente vou para ver a banda, não vou pro pit, pois sou velho agora, sabe. (risos)

F: Você acha que é diferente quando você toca em grandes festivais e quando toca apenas em um show seu, em uma casa de shows?

F.B.: É sempre especial. Mas digo, o show maior tem mais pessoas, mais “uuuaaaaaahhhh”, mais gritos!! É legal tocar nos clubes também. Mas, no fim das contas, eu prefiro os grandes shows. Eu gosto de andar, me divertir e tal. Sou mais dos grandes palcos. Eu também gosto de tocar shows pequenos. Mas se você me perguntar, eu prefiro os grandes shows, porque o Anthrax é conhecido pelo seu show, temos um show energético. Mas, eu não ligo se tiver que tocar nos clubes, porque é divertido também. Você pode ter essa energia, mas eu prefiro uma coisa maior.

F.B.: Sabe o que é importante para as bandas em festivais? Na verdade não só as grandes multidões, mas o que é importante para as bandas é a estrutura, o local. Os banheiros, ter uma grade de shows, um camarim decente e limpo, um backstage limpo, principalmente. Você sabe, a gente chega lá quando já rolou um show, anteriormente. Então, isso é muito importante. Alguns festivais de metal fazem isso bem, outros não tão bem. Assim, as multidões, você pode ir a qualquer festival, qualquer país que vai encontrar um público de metal muito especial. O público do metal é especial.

F.B.: A gente está se preparando para os festivais europeus agora. Vamos fazer mais deles agora e estamos todos animados com o que está por vir. E é ótimo porque nos festivais europeus você acaba tendo como ver os seus amigos das outras bandas no backstage, sabe? A gente vive trabalhando muito e não dá para fazer isso. Perguntar da vida deles, saber como está a família. É muito legal isso e também poder ver o show deles, porque muitas vezes você é fã daquela banda também! E é muito legal, porque é uma comunidade bacana, os fãs, os músicos… Acho que somos todos fãs!

F: É também uma ótima oportunidade para fazer umas ‘jams’ né?

F.B.: Totalmente! Se você tiver uma chance de fazer uma jam, claro que você vai fazer!

F: Se você fosse fazer um festival, o seu festival, Anthrax festival, qual seria o Line up?

F.B.: AC/DC! Iron Maiden, Judas Priest… Sabe, todos os meus favoritos! O Kiss dos anos 70 a 87, ahahahaha. Teria um tanto das minhas bandas favoritas, e aí a gente tocaria também!

F: Onde seria esse festival?

F.B.: Você fala! Aqui? Justamente aqui?

F: Isso, no Brasil!! hahaha

F.B.: Ok! Mas você sabe, a gente acha todo mundo especial, não só o Brasil, mas também toda a América Latina, em geral, vocês estão em nossos corações.

F: Então a gente já pode bolar isso! Podemos fazer o Anthrax festival para o próximo ano!

F.B.: Você organiza, e a gente vai estar aqui! Vocês arrumam tudo e chamam a gente. Já vou falar com meu empresário que a gente conversou hoje! Mas sério, a gente vem, vem mesmo! Eu adoraria! A gente ama grandes shows, então, estamos prontos!

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Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer com 2 colegas um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário sobre as Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Foi por paixão também que larguei um emprego público, para me aventurar pelo mundo dos festivais com a Pri.

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