estrutura maximus festivalEstúdio Gaveta/Divulgação

Estrutura Maximus Festival: estreia deixou boa impressão

A repercussão da estreia do Maximus Festival aqui no Festivalando e em outros cantos não deixou dúvidas de que o evento deixou uma impressão positiva em sua primeira edição. Muito disso se deve à estrutura que o público encontrou em Interlagos e ao esforço explícito da organização em oferecer um padrão internacional. Seguindo o nosso protocolo, fazemos agora uma avaliação detalhada da estrutura do Maximus Festival.

Com o modo cri-cri ligado e o olhar mais atento, vêm à tona algumas arestas, mas nada que manche o bom desempenho do Maximus. Festival perfeito (ainda) não existe e independentemente das ressalvas que serão feitas a seguir, ele tem uma boa posição garantida no Festivalômetro, o nosso ranking de festivais.

maximus festival

Move Concerts/Divulgação

Transporte

A melhor opção para eventos em Interlagos é o combo trem + metrô, mas a volta é sempre um ponto crítico em função do horário de fechamento das estações. No dia do festival, um feriado, o serviço se encerraria à 0h. O Maximus Festival ganhou pontos positivos nesse sentido ao antecipar um pouco o fim do festival. Inicialmente havia sido anunciado que terminaria às 23h, mas logo depois o horário foi antecipado para as 22h30.

Poderia ter sido mais adequado ainda oferecer mais meia hora para o público e dar um intervalo total de duas horas entre o fim do festival e o fechamento das estações, como faz o Lollapalooza. A caminhada até a estação não é das mais curtas e a viagem até a estação Pinheiros, onde todo mundo começa de fato a pegar o rumo de casa/hotel não é das mais rápidas. Na nossa resenha do Maximus, contamos que conseguimos fazer a última integração às 23h50, mesmo tendo corrido muito (lembre-se da regra de ouro: [email protected] não perdem o trem!).

A maior falha, porém, foi o direcionamento do fluxo de saída. O público foi majoritariamente desviado para o portão 7, enquanto a saída menos distante da estação é o portão K9. Isso obrigou a grande maioria a dar uma volta desnecessária de quase 10 minutos, fazendo quem precisava pegar o trem perder um tempo precioso. O ideal teria sido liberar a saída à direita do palco principal, que leva diretamente para o K9.

Informações

Faltou sinalizar nos mapas divulgados no site e nas redes sociais quais seriam os portões de entrada em Interlagos pois eles são muitos, alguns deles distantes uns dos outros.

Na área do festival havia totens com os horários dos shows em cada palco bem posicionados e muita gente aproveitou para tirar foto dos mesmos e gravar no celular para consultar quando necessário. Tendo em vista que o festival ocupou uma área pequena de Interlagos, esta foi um solução suficiente para informar o público da programação. Mesmo assim, fica a expectativa de que em edições futuras o Maximus Festival aposte em um aplicativo próprio que ofereça informações úteis em geral para os fãs.

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Move Concerts/Divulgação

Hidratação e Comida

Havia uma oferta com boa diversidade de opções de alimentação, tendo em vista as proporções do festival. Como já se espera de qualquer festival, os preços praticados não eram os mais baixos que se encontra por aí, mas os valores estavam razoáveis.

Nos caixas havia uma tabela bem mão na roda com o cardápio e os preços de cada produto, bem como os combos de metals, facilitando as contas na hora de carregar as pulseiras. O sistema cashless funcionou bem nos momentos em que nós o utilizamos, sem apresentar nenhum tipo de pane. Também não presenciamos filas homéricas para fazer a carga.

Sobre a hidratação, aparentemente houve um ruído de comunicação. Em uma entrevista para o Festivalando um dos sócios da produtora responsável pelo Maximus disse que haveria distribuição de água, mas como muitos de vocês notaram isso não ocorreu. Entramos em contato para tentar entender o que aconteceu e nos foi informado que a produção não estava ciente disso. Esperamos que os ponteiros sejam acertados nesse quesito para a próxima edição.

Conectividade

Ainda está para nascer o patrocinador que vai criar uma ativação que ofereça wi-fi para o público em um festival, mas ao menos desta vez o sinal do 4G não desapareceu como é tão costumeiro em festivais em Interlagos (talvez pelo número menor de pessoas, cerca da metade do que se tem no Lolla, por exemplo).

O Maximus teve uma boa sacada ao oferecer uma estação de carregamento de celulares, coisa que ainda não se vê nos festivais por aqui, mas pecou em dois pontos. Primeiro, em colocar a estação afastada do ponto de maior fluxo de pessoas, obrigando o público a fazer um deslocamento relativamente grande e a se afastar da área dos shows. Segundo, em cobrar pelo carregamento.

Já vimos lá fora festivais que ofereceram carregamento gratuito. No Lollapalooza Chile, isso aconteceu com suporte de patrocinadores; no Roskilde Festival, a proposta era bastante lúdica e o público tinha que pedalar para gerar a energia necessária para carregar os telefones. Soluções interessantes pra se inspirar não faltam, principalmente para um festival que abertamente busca referências em eventos bem-sucedidos.

Limpeza e banheiros

O aspecto geral de limpeza era bom e havia equipes de limpeza circulando pelo local. O uso de copos personalizados do festival é um grande responsável por melhorar esse quesito, pois ninguém vai querer descartar seu copo-souvenir em qualquer lugar como faria com um copo de plástico comum.

Infelizmente, os banheiros eram do tipo químico, e não há banheiro químico nesse mundo que possa ser elogiado. Para melhorar pelo menos um pouquinho a situação, teria sido legal se houvesse bicas com água na saída dos banheiros para lavar as mãos, como já é feito em outros festivais. Se o Hellfest é uma das grandes inspirações do Maximus, fica a dica para que ele se inspire no banheiro de compostagem usado no festival francês, bem mais agradável e ecologicamente correto, e do qual a Gra falou aqui.

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Move Concerts/Divulgação

Segurança

A revista não foi das mais rigorosas. O que nos chamou atenção positivamente foi a quantidade de postos médicos apesar da área pequena do festival. Também vimos bombeiros circulando em meio ao público “a postos” para eventuais emergências.

Outros

Apesar de não fazer parte dos nossos critérios de avaliação, vale a pena mencionar aqui toda a decoração do festival, com direito a esculturas e fogos. Criou um ambiente diferente e que pode fazer toda diferença na construção da identidade do festival.

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Transporte6.5
Informações8.5
Hidratação e Comida8
Conectividade8
Limpeza e Banheiros8.5
Segurança8.5
Pensando com mais cuidado em quem depende do transporte público para ir ao festival (a maioria), o Maximus vai oferecer uma experiência ainda melhor aos fãs. Repensar a oferta de carregamento de celulares pode ser uma boa. O sistema cashless é um dos destaques positivos.
8

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora também coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Além de uma das mães do Festivalando, sou colaboradora da Mixmag e do Brasil Post e autora do Porque eu gosto de música. Também ajudei Paul McCartney a falar uai em pleno Mineirão.

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