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Estrutura do Ultra Brasil foi regular

Foi um drama mexicano a história do Ultra Brasil. No fim das contas o festival funcionou, os DJs fizeram bonito e o público se divertiu. Mas não sem passar por alguns perrenguezinhos dentro do festival. Na nossa tradicional avaliação técnica dos festivais, analisamos em detalhes a estrutura do Ultra Brasil para encontrar um lugar para ele no Festivalômetro, nosso ranking de festivais. De 0 a 10, que nota o Ultra Brasil leva?

Transporte

A localização do Ultra Brasil, no Sambódromo, numa região bastante central e servida pelo metrô do Rio, contribuiu para que o acesso ao festival fosse fácil. A parceria com o Uber foi uma boa iniciativa. Quem usou o aplicativo para ir ao Ultra pode carregar o celular na chegada à Sapucaí. Para a volta, houve o tradicional código promocional para quem fizesse a primeira corrida de Uber. Lá dentro, pessoas identificadas indicavam o ponto onde os carros chegariam na parte externa do Sambódromo. Os taxistas fizeram sua parte e se organizaram num esquema bem rápido, com táxis aos montes.

No primeiro dia, eu não consegui conexão com o Uber e acabei entrando na fila do táxi, que foi bem rápida no momento em que saí. No segundo dia, fui direto para o táxi pois as tarifas estavam muito semelhantes e o pick up point do Uber era um pouco mais afastado.

Informações

Em função da história dramática que o Ultra Brasil protagonizou, vai ser necessário ampliar um pouco mais que o habitual a análise do quesito informações, até porque talvez nesta história particular do festival este quesito tenha sido mais importante que em outros casos.

Desnecessário repetir, o Ultra enfrentou problemas para a definição do local do festival até poucos dias antes da data marcada. Começou em junho, com o veto ao uso do Aterro do Flamengo, e se prolongou até o início de outubro, com a queda de braço pelo uso da Quinta da Boa Vista e culminou, por fim, com a transferência para o Sambódromo. Em muitos momentos dessa novela mexicana, o festival deixou de dar um parecer para o público em seus canais de comunicação direta com os fãs. Em algumas situações, quando houve um pronunciamento, foi porque o festival foi procurado por veículos que solicitavam uma versão do evento.

Um pronunciamento simples no Facebook ou no site, de duas ou três frases, seria o suficiente para acalmar os fãs e dar a eles uma satisfação de maneira respeitosa. Mas, do contrário, houve um silêncio incômodo em momentos críticos, como se não houvesse problema algum acontecendo, abrindo muito espaço para especulação, insegurança e desconfiança por parte do público.

Nos dias do festival em si, o Ultra se saiu bem com uma boa sinalização interna de palcos e serviços e a disponibilização de um aplicativo com recursos diversos.

live sets do ultra brasil

Hidratação e Comida

O Ultra adotou o sistema cashless para a venda de comida e bebidas, e em tese isso pode ser bastante prático. Porém, o festival pecou muito ao anunciar o sistema somente no dia do festival, dia 14 de outubro, pegando todo mundo de surpresa. Esse é o tipo de coisa que sempre gera dúvidas com relação a formas de carregamento, reembolso, possibilidades de uso e, por isso, anunciar o sistema horas antes do evento ajuda pouco para o público.

A oferta de comida era razoável tendo em vista o tamanho do festival, com preços não muito amigáveis, mas ainda assim dentro da faixa de preço que se pratica em outros festivais.

Por outro lado, como já detalhei melhor no review do festival, a venda de água foi escandalosa, com uma garrafinha de 300 ml sendo vendida a R$ 8, preço muito superior ao praticado por outros grandes festivais aqui no Brasil. A oferta gratuita de água que é praxe em Miami passou longe do padrão Ultra Brasil.

Conectividade

Não havia pontos de wi-fi, mas a conexão de dados funcionou bem. O festival também disponibilizou carregadores de celular pagos, uma opção para alguns, mas sempre lembramos aqui como há festivais que oferecem soluções gratuitas, como o Lollapalooza Chile e o Roskilde.

Limpeza e Banheiros

Os banheiros químicos, em alguns pontos, como no UMF Radio Stage, pareciam não ser suficientes. As filas eram constantes. Faltou ter disponibilizado uma bica simples, com água corrente – alguns festivais aqui no Brasil fazem isso, como é o caso do Rock in Rio e do Lollapalooza em algumas de suas edições.

Com relação à limpeza, a quantidade pequena de lixeiras foi um problema. Havia algumas próximas às lanchonetes e bares, mas poucas nas áreas de circulação e nos arredores dos palcos, para onde efetivamente as pessoas levam seus copos e embalagens. Havia funcionários recolhendo o lixo a todo momento, mas não há equipe de limpeza que dê conta de deixar limpo um ambiente ocupado por dezenas de milhares de pessoas. Uma quantidade maior de lixeiras era necessária tanto para o público quanto para ajudar e não sobrecarregar os funcionários.

live sets do ultra brasil

Segurança

Nos grupos do Facebook dos quais participo, muita gente reclamou da revista, que em alguns momentos foi rígida, com revistas corporais constrangedoras, e em outros momentos foi inócua. Faltou um equilíbrio. Outro problema foi a aglomeração da entrada, provocada pela lentidão das filas. Houve quem chegasse a ficar até duas horas sem água, comida, banheiro, no aperto da fila. Esse é o tipo de situação que pode gerar irritação, empurra-empurra e mal estar (principalmente debaixo do sol e do calor do Rio de Janeiro), o que, definitivamente, não é a situação adequada para o público.

E você, que nota daria para a estrutura do Ultra Brasil?

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Transporte10
Informações5
Hidratação e Comida5
Conectividade7.5
Limpeza e Banheiros6
Segurança6
O Ultra Brasil teve muitos problemas para conseguir, de fato, acontecer. Porém, isso não exime o festival dos problemas apresentados em sua estrutura. O preço abusivo da água e as longas filas foram alguns dos pontos negativos do Ultra no Rio. O acesso fácil ao Sambódromo, por meio do metrô, contou pontos a favor.
6.6

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora também coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Além de uma das mães do Festivalando, sou colaboradora da Mixmag e do Brasil Post e autora do Porque eu gosto de música. Também ajudei Paul McCartney a falar uai em pleno Mineirão.

6 comments

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  1. Rodrigo Airaf 24 outubro, 2016 at 02:38 Responder

    se eu soubesse que vc tava no ultra ce tinha ido no uber comigo numa praça perto do ultra que só conhecem quem é carioca (meus amigos eram) e ainda tinhamos combinado uma afterparty hsahashashas

  2. JTorres 24 outubro, 2016 at 10:06 Responder

    Olá Priscila. Entendo seu ponto de vista a respeito do Ultra Brasil e que sua publicação foi baseada em sua experiência. Porém preciso discordar desta nota 10 para os transportes. Trabalhamos há alguns anos com festivais e nunca vimos um descaso tão grande com os sistemas de embarque e desembarque de passageiros. Levamos um pouco mais de 200 pessoas para o Ultra e a organização, após a mudança para o Sambódromo, ignorou todos os nossos contatos. Na nossa opinião, um evento como o Ultra precisava de um “Drop Off” oficial ou algo do tipo. O nosso caso foi resolvido graças à experiência que temos no setor e a uma certa compreensão do policiamento local que nos deu suporte após alguns pedidos. Mas vimos muitos ônibus e e vans parados em local irregular, tendo que dar voltas nas quadras par pegar passageiros e muita gente perdida tentando entrar nos nossos ônibus porque não achavam os seus. Enfim, a organização de transportes para grupos passou longe de ter uma nota 10! neverends.tur.br

    • Priscila Brito 24 outubro, 2016 at 11:42 Responder

      Olá! Eu te agradeço por trazer a sua experiência e acho que a sua discordância é muito válida! Mais que isso, seu comentário chamou atenção para um aspecto de transporte que normalmente a gente não presta muita atenção nas nossas avaliações, que é justamente o esquema de drop off para ônibus, vans e excursões em geral. Focamos mais no transporte público, mas em grandes festivais muita gente vai com transporte coletivo particular e realmente é preciso ter um esquema para isso, principalmente porque o trânsito ao redor do local sempre sofre modificações. É uma pena que o Ultra tenha escorregado em mais esse aspecto e não tenha previsto ou subestimado uma estrutura especial para vans e ônibus, ao contrário de outros festivais que se preparam para isso, como o Lolla e o TML. Obrigada mesmo por trazer esse ponto de vista. A partir das próximas avaliações, esse detalhe deve passar a constar também 🙂

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