organizacaoOrganização Inferno Festival – Photo: kenneth Solfjeld/ Official Inferno Festival

Estrutura do Inferno é quase impecável

Chegou a vez do Inferno Festival passar pela nossa minuciosa avaliação estrutural de festivais. Nosso olho clínico e apurado nada deixa passar e nossos dedinhos faceiros estão sempre prontos para uma crítica no teclado do computador. No entanto, carxs, preciso admitir que é difícil avaliar o Inferno Metal Festival, em termos de uma estrutura única. Afinal, como enfatizamos e permite a licença da metáfora, a estrutura do inferno nos lembra um “festival teia de aranha”: faço tal comparação pois ele acontece em vários locais e usa a estrutura da cidade inteira ao seu favor. Trata-se de um evento tecido entre diferentes casas de shows, ruas, espaços e pessoas– muitas delas, inclusive, voluntários, o que é ótimo e muito legal! Preciso dizer, sobretudo, que a comparação hora alguma é pejorativa. Na verdade adoro teias de aranha e todo o conceito de tessitura. É como se o festival fosse disparado de um ponto comum, o Hotel Clarion, mas se espalhasse em Oslo, como uma teia de serviços e atividades interligadas na cidade.

O estilo predominante do festival, o metal extremo, não faz do evento um aglutinador de grandes multidões. Contudo, o Inferno é um dos maiores festivais do estilo na Europa e tem a lotação total de 1500 pessoas por dia, considerando o público de todas as casas. Portanto, não falamos aqui de um gigante, como é o Wacken, bem como não se trata de um pequeno festival. O Inferno é um festival de médio porte com produção e artistas top de linha. Quando comparamos as ações de marketing e o merchandising, como por exemplo a bolsa de brinde do festival, recheada de muambinhas, podemos dizer que temos algo igual ou até melhor do que a do Wacken (na bolsinha do Inferno veio um chocolate de brinde!! hahaha, fui totalmente comprada por essa estratégia!).

Inferno Bag, cheia de surpresinhas Photo: Gracielle

Inferno Bag, cheia de surpresinhas Photo: Gracielle

Vale lembrar que o Inferno sempre acontece no feriado de Páscoa, que é levado muito a serio aqui na Escandinávia – as pessoas geralmente tiram a semana toda de férias e os serviços públicos funcionam em escalas diferenciadas. Supermercado, por exemplo, ficou fechado vários dias, o que limitou um pouco nossas táticas de sobrevivência festivaleira. Contudo, isso nada tem a ver com o festival, mas sim com toda a cidade. De qualquer forma, em termos de transportes e outros serviços, não houve grandes comprometimentos. Nossa diversão no festival continuou garantida.

Pontuados todos esses poréns, chegou a hora de contar para vocês sobre a estrutura desse festival infernal, no melhor sentido da palavra!!

Transporte:

A base do Inferno Festival e da Inferno Music Conference é, definitivamente, o centro de Oslo. Há uma ou outra casa e pub um pouco mais afastados, como é o caso da Vulkan Arena e do Aye Aye club. No entanto, a distância máxima nunca é maior do que 2 km. É bem no miolo da capital norueguesa que fica o hotel base das atividades, logo de frente para a estação central de Oslo. As opções de transporte são inúmeras: trem, bonde, ônibus, metrô. Tudo com uma vasta oferta de horários e linhas que levam a diferentes comunas e pequenas cidades nas redondezas. Da mesma forma, há boa oferta de transporte para as casas de shows, embora não seja necessário, uma vez que seria questão de pegar o ônibus para descer dois pontos depois…dê uma olhada nesse site aqui e veja o quão farto é o transporte nas áreas em que o inferno festival ocorre, compreendidas nesse mapa:

Informações:

Fomos bem providos de informações antes e durante o festival. O site e as redes sociais eram muito bem atualizadas durante todo o evento. Além disso, a produção organizou uma revista e um guia para o festival, dado junto com as bolsas de brinde. O aplicativo para smartphone é também muito funcional, trazendo os shows com horários e também separados pelas casas, com seus respectivos endereços. Também havia uma seção com informações úteis, como telefone de polícia e emergência. Dentro do hotel e nas casas de shows as exposições e demais atividades foram muito bem sinalizadas. Além dos banners, já na entrada do hotel havia pessoas da equipe do festival para dar informações e nos orientar. Em cada setor ou exposição, casa de show e evento paralelo havia um voluntário para te ajudar, conversar com você. Tudo muito bem preparado. O Inferno está de parabéns nesse quesito.

app inferno

Inferno Music Festival App

informacoes

Informações e troca de ingressos muito bem organizados. Nota 10, Inferno! Photo: kenneth Solfjeld / Official Inferno

Hidratação e comida

Água potável de graça!Viva!! Mesmo que de forma discreta e não muito popular entre os bangers, a água estava lá, no cantinho dos bares das casas de show. Colocaram jarras e ao lados das mesmas copos para que nos mesmos pudéssemos nos servir a vontade. Fiquei bem feliz com isso, pois água potável de graça ganha milhões de estrelinhas com a gente. Afinal, é muito importante se manter hidratado durante os shows.

comida inferno

Faminto como um lobo? Comida no terraço! – Inferno Festival

Já com relação à comida, talvez a variedade poderia ter sido maior. Havia noodles e rolinho primavera. Os noodles com uma variedade limitada de sabores. O preço e o sabor dos rolinhos primavera eram bem agradáveis, no entanto. 20 coroas norueguesas ( ou quase 10 reais) cada rolinho primavera e 80 coroas (quase 35 reais) o box bem farto com os noodles. No entanto, senti muita falta das comidinhas saudáveis. Havia opções para os vegetarianos, mas elas apenas nao vinham com carne. Continuavam sendo fritas. Eu usei e abusei dos rolinhos, eram gostosos e me pouparam gastar e procurar comida em determinados momentos na cidade. Porém, esse é um quesito em que sem dúvida o Inferno pode melhorar, e muito.

comida inferno festival

Comida era saborosa e tinha preço ok. Faltou variedade. Photo: kenneth Solfjeld/ Official Inferno Festival

Conectividade

Aqui fica minha principal queixa ao festival! #chatiada! poxa vida, inferno?! Qual o problema do capeta com a internet livre para todos, conexão, updates, twittadas durante o festival, posts no face???? Ok, vocês são ricos, escandinavos e tem boa internet 4g nos seus celulares. Mas nós, pobres mortais que vamos aos festivais esperamos ter acesso wi fi gratuito, seja para falar um oi, fazer ostentação festivaleira na net ou mesmo trabalhar. Eu esperava poder atualizar as coisas sobre o festival enquanto elas estavam quentes nas redes sociais do Festivalando. Mas,infelizmente, não foi possivel. Somente em um momento, no palco do Vulkan durante o show do Arcturus é que surgiu um wifi misterioso e instável. De qualquer forma, #ficaadica, Inferno: precisamos de wifi para sermos totalmente felizes com vocês!

Limpeza e banheiros

O Inferno é muito limpinho. Os trve na noruega tiveram mais classe do que os frequentadores do Roskilde, por exemplo. Dificilmente você via copos ou embalagens jogadas ao chão. O Inferno deu show em limpeza. Os bannheiros todos também estavam em ótimo estado – todos limpos e fixos!!! Tão bom não ter que enfrentar banheiro químico!!!! Porém, houve certo tumulto nas entradas. Em alguns casos, parece que não havia banheiro suficiente para todxs, como durante os shows que aconteceram no Rockefeller. Passei bons minutos na fila do banheiro por lá. Essa coisa de igualdade de gênero também deixa a gente meio confusa nos países ecandinavos quando o assunto é banheiro: homens e mulheres dividindo os mesmos espaços banheirisiticos. Situações inusitadas mil, claro! Teve de tudo: risada, constrangimento, zueira… mas no geral foi ok.

Compra de ingressos

Os ingressos do inferno festival começam a ser vendidos com uma boa antecedência. A venda para esse ano se inciou desde agosto do ano passado. O site tem um funcionamento bom, te pede

um cadastro que pode demorar um pouquinho, mas é tranquilo. Há opções de pagamento via paypal, caso o seu cartão internacional não seja aceito. Isso é fantástico, pois assim ninguém tem que fazer malabarismo, como foi o nosso caso para lidar com o invoice do Roskilde, sobre o que a gente já falou aqui. Dependendo da data da compra, no entanto, eles não garantem a entrega do ingresso na sua casa. Daí, pode ser que você tenha que retira-los no dia do festival, no hotel. Alguns tickets para apenas um dia de show também são vendidos durante o festival, no hotel oficial. Mas, leve suas coroas norueguesas em mãos, pois já ouvi casos de pessoas que não conseguiram fazer o pagamento com o cartão lá na hora.

Segurança

Não notei a presenca de muitos seguranças no interior das casas. Mas também, não é algo muito necessário. A sociedade norueguesa é uma das mais pacíficas. As revistas de entrada de festival aconteceram, como de rotina, nas casa e também nos pubs. Mas sem exageros e com pessoas fofinhas: eu estava morrendo de frio enquanto a moça fazia a revista. Ela percebeu e falou que eu podia entrar e que iria revistar dentro da casa, para eu não ficar com frio.

Além dessas categorias que avaliamos, vale destacar que o Inferno fechou uma parceria com o hotel oficial para dar descontos aos participantes do festival. Os preços das pernoites, claro, eram meio salgados. cerca de 600 reais. mesmo assim, o hotel tinha uma ótima estrutura e todo aparato festeiro das pre e after parties… inclusive, algumas delas eram abertas a todas as pessoas e eram bastante animadas. No hotel também tocava uma rádio oficial do festival, 24 horas por dia.

Ah, também vale destacar a presença dos caixas eletrônicos para tirar grana, dentro do Rockefeller. Isso ajudou muito a logística da vida dentro da casa de shows, assim como na vida e no dia seguinte pela cidade.

caixa infernal

caixa eletronico no inferno

Terminando a nossa seríssima análise de cada categoria, parece que o Inferno se saiu muito bem, não é mesmo? O conjunto estrutural oferecido nessa teia, muito bem tecida, por sinal, nos agradou bastante. Eles deram show de organização, pontualidade e também hospitalidade. A gente até perdoa o preço da cerveja, que acreditem, é um líquido muito precioso na Noruega! 500 ml equivalendo a 35 reais?! Digo só uma coisa, quem ficou bêbado poderia gritar que era Ryyyyyycaaa!!!

Transporte10
Informações10
Hidratação e comida7.5
Conectividade4
Limpeza10
Segurança10
A conectividade inexistente e a a comida pouco variada foram pontos mais críticos no festival, fazendo a média cair um pouco. Nos demais pontos, entretanto, eles deram show!
8.6

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Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer com 2 colegas um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário sobre as Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Foi por paixão também que larguei um emprego público, para me aventurar pelo mundo dos festivais com a Pri.

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