chef stage lollapaloozaLollapalooza. PH: I Hate Flash

Comida em festival de música: os dramas, erros e acertos

Gostamos de falar de comida. E esse é um dos motivos pelos quais dedicamos uma categoria inteira para esse assunto aqui no Festivalando. Além disso, comida é um dos pontos cruciais dos festivais de música. Muitas vezes, elas também são uma atração em si, como todo ano o Lollapalooza anuncia o seu food lineup, por exemplo.

Além disso, tem sempre aquela máxima que os nossos familiares mais velhos falam, de que “saco vazio não para em pé”. E não para mesmo, muito menos em festival.

A experiência como festivaleiras, adquirida por mim e Pri ao longo desses anos, nos fez ver muita coisa no quesito comida em festival. Desde 2014, a gente analisa com mais cuidado, vamos dizer assim, como os festivais têm tratado o nosso estômago – e nossos bolsos, também, quando o assunto é comida.

A gente tem fome de quê?

Basicamente de tudo. Desde o alimento mais saudável ao mais hard core das gorduras e açúcares. Em festival, onde a proposta é meio que fazer algo um pouco diferente das rotinas, a variedade se torna imprescindível.

Mesmo sabendo disso, e de que existem gostos e necessidades de alimentação diversas, tem muito festival por aí que ainda insiste na pizza e no cachorro quente forever. Não que a gente não curta isso também. Curtimos. Mas imagine passar cinco dias de festival comendo somente pizza? Eu não aguento.

Capitalismo selvagem

Muitas vezes, o problema nem é só a variedade em si. Mas também o preço das outras opções disponíveis – uma pizza vendida a $5, e uma salada a $15, por exemplo, é uma falsa possibilidade de escolha, pois o fator financeiro vai fazer todo mundo comer pizza, todos os dias, claro.

Outra coisa importante e que todo mundo quer é ficar satisfeito, com pratos que tenham sustância. Não rola de vender pratos pequenos, propostas gourmet se são caros e não vão suprir as necessidades de energia – e não é só uma questão de economia. Quando estamos em um festival, queremos aproveitar tudo o que ele tem de mais legal. Não rola de ficar perdendo tempo na fila da comida sempre. Por isso, refeições generosas, que valham o preço pago por elas, é no mínimo justo.

Claro, pode ter as opções gourmet com dois pedacinhos de polvo de não sei o que lá, com bolotinhas de batatas sei lá de quê, custando $36. Pode. Mas tem que ter uma refeição de $20 e poucos também que vá substituir um almoço, por exemplo.

Quando não se pode entrar com comida no festival

Sabemos que a maioria dos festivais, pelo menos aqui no Brasil, são eventos com objetivo (diria até principal) de gerar lucro. Então, é de se esperar, também, que a geração da grana venha também das vendas de comida.

No entanto, sabemos também que a grana vem de patrocinadores e da bilheteria. Logo, não concordamos com a lógica de que se enfatize ou que se privilegie a venda de comida como protagonista do lucro.

Liberem os alimentos trazidos de casa, gente!

Somos altamente a favor da liberação da entrada de determinados tipos de alimentos. Não digo que deveria ser liberado entrar com tudo, porque vai saber o que as pessoas vão querer esconder dentro do pão e do bolo de chocolate. Mas sim, é uma grande sacanagem a proibição da entrada de alimentos industrializados, por exemplo!

Muita gente vai com a grana contadinha para o festival, e prefere levar lanchinhos comprados em supermercado (eu e Pri devemos um ode ao amendoim na Escandinávia, por exemplo, hauahaahu). Por isso, reserva a grana para comer as refeições mais pesadas no festival – é a minha estratégia, na verdade!

Mesmo que algum dia todos os festivais passem a deixar todo mundo entrar com alimento industrializado, pode ter certeza que ainda vai ter muita gente para comprar lá dentro, pois nem todo mundo tem saco para levar alimentos de casa e tal.

Festivais que brilham quando o assunto é comida

Sempre observamos o desempenho dos festivais no quesito Hidratação e comida, pois consideramos este um ponto crucial da experiência das pessoas festivaleiras. É bem comum que os festivais bem ranqueados lá no Festivalômetro cumpram bem sua função de nos alimentar. São eles o Lollapalooza, Sweden Rock, Copenhell, Montreux Jazz Festival, por exemplo.

Mas, para além de cumprir tabela oferecendo o básico da variedade e das necessidades festivaleiras, tem festival por aí que brilha por vários motivos, principalmente por apontar novos caminhos e propostas para as soluções de alimentação em festival de música.

Roskilde, o dinamarquês das experimentações práticas coletivas que tanto amamos

Roskilde festival comida

Roskilde Festival. Photo by Egill Egillson

No Roskilde, os dinamarqueses entendem que fazer juntinhos pode ser mais gostoso. Por isso, espalhavam várias churrasqueiras coletivas em algumas áreas da Dream City. Assim, quem estivesse acampado poderia fazer uma comidinha e bater papo com as pessoas, além de se aquecer um pouco no frio da noite.

Além disso, foi lá que vimos a proposta do almoço em silêncio – um almoço coletivo, feito por voluntários do festival, em que todo mundo poderia comer de graça, desde que se sentassem à mesa e permanecessem em silêncio.

Tinha também as oficinas em que todo mundo colocava a mão na massa e o cérebro em ação para experimentar novas ideias de prato. O resultado era um rango delicioso e diferente, que você comia logo em seguida.

Que outro festival nesse universo teria uma cozinha comunitária, onde todo mundo traz alimentos diversos que são da cozinha em geral. Os utensílios e tarefas de limpeza, bem como os ingredientes são compartilhados por todos e, o resultado final do que você cozinhasse, se sobrasse, também era compartilhado com as demais pessoas.

Lollapalooza e seu jeito cool de nos alimentar

Lollapalooza PH: I Hate Flash

Food lineup e Chef Stage – essas pessoas que organizam o Lolla são mesmo lacradoras! Inventam outros nomes e jeitos de fazer a coisa da alimentação funcionar, dialogando com o universo dos festivais!

E não é só roupagem cool. É algo consistente. O food lineup sempre é bem montado, como o próprio line up do festival. Além disso, as opções gourmet com preços interessantes e quantidades razoáveis fazem a alegria de um público que está cansado do mesmo cachorro quente e pizza de sempre!

No Lolla não tem só petisquinho. Tem comida de verdade, com sabor e sustância para dar energia para a maratona de festival.

Montreux, naturalmente gourmet sem furar seus olhos

Montreux Jazz Festival Cafe - Divulgação

Montreux Jazz Festival Cafe – Divulgação

Comida de todos os lugares do mundo, queijos, vinhos…  mais maravilhoso, impossível! Tudo isso ficava em um espaço enorme dedicado à gastronomia no Montreux Jazz Festival.

Sem dúvida, esse foi um dos festivais preferidos da Pri no quesito comida. Apesar de os preços serem um pouco mais elevados no festival do que nas lanchonetes das ruas, e o preço do Franco Suíço assustar um pouco, a Pri comeu bem por lá

E por ser naturalmente gourmet, sem furar os olhos, é que o Montreux brilha com mais brilho que o sol.

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Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer com 2 colegas um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário sobre as Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Foi por paixão também que larguei um emprego público, para me aventurar pelo mundo dos festivais com a Pri.

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