viagem pelo deserto americanoFotos: Boralá Blog

A verdadeira Desert Trip: o super festival e uma viagem pelo deserto americano

Certamente, todo mundo aqui sonhou em poder estar no Desert Trip, o super festival que reuniu seis lendas do rock num único fim de semana. Mas por que se contentar apenas com o festival quando você pode aproveitar as belezas turísticas que os Estados Unidos tem para oferecer? Foi isso que fizeram o
Lucas Conteçote e a Claudia Bojanowski, dois dos autores do Boralá Blog. Eles foram ao Desert Trip, mas antes passaram 15 dias em uma viagem pelo deserto americano (e também pelo litoral).

O relato dessa road trip que passou por cinco estados americanos e terminou no festival mais inacreditável do ano, você confere a seguir. E se você também quiser compartilhar sua história de viagem para festival, escreva pra gente no [email protected]!

A verdadeira Desert Trip: o super festival e uma viagem pelo deserto americano – por Lucas Conteçote e Claudia Bojanowski

como foi o desert trip

Assim como qualquer um, nós também ficamos malucos quando soubemos do festival Desert Trip pelas redes sociais. Contamos os dias para a vendas dos ingressos, ficamos 4 horas na fila e… nada. Esgotado. Mas a vontade foi bem maior, e graças a um amigo que encontrou 3 ingressos sendo revendidos online por apenas 100 dólares mais caro cada, considerando o tamanho do festival e a revenda, o valor de US$600 saiu em ”conta” para o fim de semana. O que importava era que nós estávamos garantidos em um dos maiores eventos do rock ‘n roll mundial.

E não era para menos tanta excitação. O line up contou com as lendas Bob Dylan e Rolling Stones na sexta feira, Neil Young e o Beatle Paul McCartney no sábado e fechou o domingo com The Who e Roger Waters (Pink Floyd). A gente conseguiu ingressos para o primeiro final de semana (7, 8 e 9 de Out. 2016). O evento se repetiria no fim de semana seguinte, permitindo que um total de 150 mil pessoas pudessem assistir esse alinhamento de astros no mesmo cosmos, algo que entraria a história.

Como as datas da viagem já estavam definidas, 5 meses de sobra para planejar uma road trip pelo Velho Oeste Americano, onde rodamos quase 5 mil km, passando por 5 estados americanos e diversos atrativos, entre eles: parques nacionais, cânions, crateras, casinos e praias.

Roteiro

Albuquerque, NM –> Phoenix, AZ –> Sedona, AZ –> Grand Canyon, AZ –>Page, AZ –> Kanab, UT –> Las Vegas, NV –>Death Valley, CA –> Sequoias Nacional Park, CA –> Santa Monica, CA –> Redondo beach, CA –> San Diego, CA –> Desert Trip – Indio, CA

Deserto, canyons e 40º

Pois bem, 15 dias antes estávamos desembarcando em Albuquerque, Novo México, onde demos o pontapé inicial do roteiro “Desert Trip”.  Assim como qualquer outra cidade que passamos, foi apenas uma noite e estrada com destino a ”White Sands National Monument”, uma área desértica cheia de dunas com suas areias branquíssimas. No mesmo dia seguimos sentido Phoenix, onde encontramos nosso amigo e os ingressos do festival, dia bem especial!

Phoenix, cidade grande no meio do deserto onde o calor batia os 40 graus. Não ficamos muito tempo na cidade, mas tempo o suficiente para conhecer duas ótimas micro cervejarias: Mother Bunch Brewing e The Phoenix Ale Brewery. Porém, o foco estava em chegar no ”Red Rock Sate Park – Arizona” na região de Sedona, que fica a uma hora e meia de Phoenix sentido norte.

Hotel reservado, chegamos só à noite, e a surpresa veio na manhã seguinte quando acordamos e nos situamos onde realmente estávamos. Gigantescas rochas avermelhadas se mesclavam com a pequena cidade e se destacavam na imensidão da paisagem.

Claro, fizemos um trekking no parque mesmo com o tempo um pouco de chuva, mas partimos antes de escurecer, pois queríamos ainda visitar uma cratera de cometa de 50 mil anos e ainda dormir nas proximidades do Grand Canyon, atrativo do dia seguinte. Foi um longo dia.

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O Grand Canyon

Para o “Grand Canyon National Park” separamos um dia cheio. Entramos pelo lado sul do parque. De ponta a ponta são 49 km de extensão de parque que pode ser visitado. Nós percorremos de carro, Express Shuttle, e caminhando. Chuvas fortes, pancadas de 5 minutos cortavam o parque naquele dia, mas mesmo assim o dia foi incrível e cheio de arco-íris.

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Nosso próximo destino como cidade foi Page, ainda no Arizona. Nossa recepção foi em um bar/restaurante ”Saloon”, fiel retrato da cidade típica do velho oeste. Ótima comida, cerveja Ale local, Grand Canyon e um parceiro tocando um pouco do bom e velho rock!

Tudo indo muito bem, até ficar ainda melhor: um tiozinho que estava jantando com seu filho pediu para tocar um som (que na verdade foram dois) durante o intervalo do artista. E o que ele toca? Bob Dylan e Rolling Stones. Coincidência ou não, sabíamos que estávamos no lugar certo, na direção certa.

Manhã seguinte foi dia de explorar a região de Page, que está localizada na ponta sul do gigantesco Glen Canyon National Recreation Area e, como se não bastasse, tem ainda o Antelope Canyon. Duas atrações imperdíveis para quem vai até o Grand Canyon.

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Mudando de estado, chegamos à noite na cidade de Kanab, Utah, ainda no mesmo dia. Ao amanhecer, revivemos a mesma impressão de que tivemos em Sedona. Foi digna de palmas. Região jurássica, foi nosso ponto de partida para visitar o Zion National Park.

Zion é um gigantesco cânion com diversas trilhas para todas as idades e corações. Nós escolhemos a trilha Angels Landing. A vista que se tem lá de cima é indescritível, mas o preço para isso é ter que encarar a perigosa escalada até o seu topo. Até hoje foram seis pessoas que perderam suas vidas naqueles penhascos.

Para Vegas!

Zion marcou também a metade de nossa Road Trip e para celebrar tudo que estava se passando, partimos para Las Vegas bebemorar tudo isso no Hotel e Cassino Stratosphere! O Death Valley National Park foi o ponto mais baixo da viagem, literalmente. Fomos até o ponto mais baixo da América do Norte, 86 metros abaixo do nível do mar. Um forno! Visitamos também outro cânion e outra cratera, de um vulcão dessa vez. O parque marcou também nossa chegada ao nosso último estado americano, a Califórnia.

Do forno para o freezer, saímos dos 86 metros abaixo do nível do mar para mais de 2 mil, no Sequoia National Park. Fomos ver as milenares e gigantescas Sequoias, árvores que lá estão desde antes de Cristo.

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A temperatura caiu bruscamente de um dia para o outro, dos 40 positivos e extremamente seco para 0 grau e úmido. Quanto à umidade, não tem como reclamar quando se está em uma road trip pelo deserto árido.

Do deserto para o litoral

Rota quase chegando ao fim, faltava agora o litoral californiano a conhecer. Próxima parada, Santa Monica costa da cidade de Los Angeles. Facilmente eu entendo todos que para lá foram, e não quiseram mais ir embora. A Califórnia é mágica, o ritmo de vida por lá parece ser muito bom e tranquilo.

Nos hospedamos no HI Hostel Santa Monica, pertíssimo do Deck de Santa Monica, rodeado de bares e pubs para as noites dos turistas. Outras praias que visitamos pelo caminho foi Venice beach, Redondo beach, Laguna beach e enfim San Diego.

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Em nossa passagem por San Diego, nós visitamos o famoso píer onde fica o USS Midway, um porta-aviões que virou um museu, e umas das melhores ”micro cervejarias” do país, a Ballast Point. Fizemos um tour guiado para conhecer um pouco mais da história e produção de suas famosas cervejas, entre elas a Sculpin IPA. Cervejas que tomamos da fonte, em temperatura ambiente, e mesmo assim, deliciosa!

E dessa maneira espetacular, finalizamos nosso primeiro ciclo da viagem (atrativos naturais e grande cidades).  Agora vem a parte séria da coisa. Um dia apenas nos separa do grandiosos Desert Trip . Boralá pra Indio.

Desert Trip  – como foi o ‘Oldchella’

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Indio já é palco de um outro grande festival de músicas, o Coachella (o que fez o Desert Trip ser chamado de Oldchella). Desert Trip foi simplesmente duas bandas por noite, sem bandas menores abrindo, porém, os portões abriam às duas da tarde para receber a galera. Galera essa de cabelos grisalhos, jovens até senhores, adolescentes e crianças. Foi um verdadeiro mix, um parque de diversão para todas as idades.

O valor do festival foi estimado em 250 milhões de dólares, dinheiro que não foi investido apenas nas bandas. A estrutura e organização do evento foi algo surreal. Realizado em um club de Polo, contava com uma área gigante.

Para quem chegava bem cedo, contava com exposições, diferentes tipos de cozinha, (uma das melhores comidas que comemos na viagem), vários bares espalhados (um enorme bar só com cervejas artesanais), banheiros limpíssimos e sem fila – o tempo todo. Foram muitos funcionários para manter a ordem para as 75 mil pessoas que passaram por lá no fim de semana.

Nós chegamos todos os dias por volta das 6 da tarde, o show começava sempre no por do sol. Por do sol maravilhoso por sinal. Era duro decidir para onde olhar, para o palco (frente) ou para o por do sol (atrás). Estar naquele palco deve ter sido algo mágico para os artistas.

Estrutura perfeita

A logística do evento era perfeita. Dos estacionamentos facilmente se acessava a festa, onde facilmente se deslocava para onde queria, para dentro do crowded ou áreas de comuns, banheiros e praça de alimentação.

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Fora o mega telão do palco, Desert Trip contou com outros dois grandes telões mais voltados para a GA (general admission). E as pessoas sabiam tirar muito proveito disso, nas últimas filas, o pessoal se instalava com cadeiras de praias e cangas para curtir o espetáculo. Nós resolvemos ficar perto do bar, no fundo do evento, de frente para o show. Chamamos de VIP da geral, onde se via perfeitamente tudo e perto das cervejas. Lugar privilegiado, assim foi o fim de semana.

Sexta feira – Bob Dylan & Rolling Stones

Dylan abriu o show às 18h45, e tocou por uma hora e meia. Foi um show mais calmo e sem muita conversa, porém era o Bob abrindo o festival!

Mas para por fogo na noite de vez, os Stones entraram em cena. Os tiozão estavam a todo vapor, pulando, correndo e cantando. E, claro, como sempre Mick Jagger interagiu e conversou com o público. Na verdade, ele parecia meio chapado. Haviam acabado de chegar de Vegas. rs

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Sábado – Neil Young & Paul McCartney

O dia sempre acabava com o céu em cores psicodélicas, as palmeiras em primeiro plano e o por do sol logo atrás nas montanhas dava início à noite. Neil Young animou a galera até o último Beatles entrar em cena. McCartney fez todo mundo cantar e interagiu de uma maneira surpreendente. Ele chamou Neil Young de volta ao palco para tocar algumas músicas juntos. Nesse momento foi criada a melhor vibe do fim de semana. Eles tocaram ”Give Peace a Chance” enquanto as pessoas erguiam seus braços e faziam o símbolo – paz e amor – parecia uma ”reza” a música.

Outra coisa boa do Paul é que ele tem dificuldade em terminar o show. Voltou duas vezes mesmo depois de tocar Hey Jude. Paul McCartney custou pelo menos 20 mil dólares a mais só durante o show, pois ele se recusou a acabar o show meia noite, e a lei municipal cobra mil dólares por minuto de ”barulho”.

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Domingo – The Who & Roger Waters

Fechando o inarrável fim de semana, como o mesmo lindo céu após o sol partir, The Who entrou como se tivessem nos seus vinte anos e agitaram geral. Mas não foi somente de música que esse dia se destacou, foi uma noite bem política. Começou com Roger Daltrey (vocalista – The Who) fazendo uma piada sobre a eleição americana, desejando boa sorte a todos pelo o que vem pela frente, indiferente de quem for.

Mas a apimentada final veio no show do Roger Waters, quando ele fez um pronunciamento a favor da desocupação da Palestina pelos israelenses, e especialmente na música The Wall, quando crianças vestiam camiseta contra a muralha de Trump. No imenso telão, logo atrás, com os dizeres ” Trump is a Pig” (Trump é um porco). Como se não bastasse, ele ainda soltou um enorme porco inflável com a cara do candidato à presidência norte americana e a frase ”Fuck Trump and his wall” (Foda-se Trump e sua muralha).

Enfim, fora todos os protestos e mantendo a boa vibe, Roger Waters fez o pré-lançamento de sua nova turnê – Us and Them, voltada mais para The Dark Side of the Moon do que The Wall. Foram duas horas de muita exaltação, luzes e lasers, e claro, muitas cores e efeitos especiais no palco, a lá Pink Floyd.

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Desert Trip certamente deixará saudade para quem foi e mesmo para os que não puderam ir. Unir os senhores do Rock foi algo único, lendário!

Deixamos a Califórnia com o sentimento de missão cumprida e bem-sucedida. De volta a casa não paramos de ver fotos e vídeos de tudo novamente. A vontade mesmo era de ter comprado os dois finais de semana. Agora é só aguardar e torcer para algo dessa grandeza nos próximos anos novamente.

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