Blastfest: Uma aventura pela música extrema norueguesa – parte 3

O Festivalando contou com a colaboração de Sandra Nunes,  [email protected] [email protected] assídua na casa para poder contar para vocês como foi o Blastfest 2016, grande festival norueguês que acontece em Bergen. Esse é o quarto texto, no qual ela nos conta tudo sobre como foram as apresentações do terceiro dia de festival😉. O primeiro dia, o segundo e também a avaliação da estrutura do festival você confere aqui, aqui e aqui.

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Eis finalmente o dia que me iria suscitar mil e uma emoções, o terceiro e infelizmente último dia, para esta vossa escriba no Blastfest, Bergen, Noruega, é que na manhã seguinte teria de partir bem cedo para Oslo, onde mais um par de aventuras musicais me aguardava, mas enfim, vamos então entrar nesta onda avantgarde com algum caos pelo meio, sempre com a atmosfera black como cenário de fundo.

O dia começou cedo, com um convite para ir à famosa loja de discos e agora também convertida em bar/café, a Apollon, bem perto do Garage, para assistir a uma sessão de audição de novos álbuns das bandas Vredehammer, Sarke e Sahg, pelas 12h, a cargo da editora Indie Recordings, onde fiz mais novos amigos e recebi uma bolsa cheia de mimos em forma de promos, CDS e uma linda t-shirt – Tusen takk, Kjersti!  A Indie Recordings é uma das maiores editoras de discos de muitas das melhores bandas da actualidade (Satyricon, 1349, Sarke, Pátria,  Vredehammer, Solefald, Kampfar, Wardruna, Vreid, entre outras tantas) contava com muitas bandas do seu catálogo agendadas para tocarem nesta edição do Blastfest e seria quase um pecado não haver uma festa destas com tantas apresentações musicais durante o festival.

Ainda tive direito a oferta de um café enquanto ouvia boa música e confraternizava com os meus novos amigos antes de ir para casa tratar do almoço e logo de seguida, um passeio gratuito ao Monte Fløyen com vista a aproveitar a uma das ofertas figurantes no  Bergen Guest of Honor Card, antes de seguir para a USF Verftet, onde não poderia desgrudar-me do palco principal, só iria sair para umas poucas voltas.
Cumpri a missão de ir ao Monte viajando pelo funicular mesmo com ameaça de chuva, mas cheguei ao topo e delirei com a linda vista sobre os fjordes e o mar. Valeu a pena este pedaço!

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Depois corri para a USF a tempo de entrarem em palco os Solefald e que mimo de concerto!!!! Não tenham medo de ouvir a discografia da banda, excelente onda de avantgarde, sem deixar de pertencer ao mundo metal que começa a ser bem versátil que não precisa de ser necessário andar sempre dentro da linha trve, se é que me conseguem entender.  Uma actuação genial, com a colaboração de um artista que pintava um quadro durante o concerto e no final deparamo-nos com um lindo retrato de um cavalo e com o logo da banda.

Durante os concertos do festival, era possível ver uma figura familiar ao canto do palco a retratar os artistas enquanto muitos fotógrafos lutavam por melhores motivos para as suas fotografias, esta figura desenhava com um à vontade genial e tive muitas vezes o prazer de lhe dar o meu lugar e conceder um pouco de espaço e ainda consegui uma foto sua, refiro-me ao Sr. Kim Holm, que costuma ter uns trabalhos fantásticos de muitos artistas que visualiza durante os concertos, podem ver os seus trabalhos nesta página.

A banda seguinte a invadir o Røkeriet foram os também mestres do avantgarde experimental que dão pelo nome de Manes, uma banda que também começou pelo black metal, depois encerrou o ciclo e regressou com outras sonoridades e deu um concerto fantástico marcado por um cenário com um par de olhos hipnotizantes a vigiarem-nos, dois bateristas e magia pairando no ar! Momentos de sonho e calma no festival.

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E o delírio continuou com a presença dos Arcturus, foi muito bom revê-los, depois de os ter visto no Inferno Metal Festival em Oslo, no ano passado. Avantgarde progressivo no seu melhor e a criatividade e forte presença de ICS Vortex e seus capangas, audiência novamente rendida. Em modo de sonho numa viagem arcturiana…eu avisei que não iria sair do palco principal tão cedo…há temas propícios e imperdíveis para cada ocasião e esta era uma delas.

Agora os senhores que se seguiram deram um show massivo e dedicado de caos…fantablástico mesmo, uma das melhores e perfeitas actuações desta edição do festival, o público vibrou, houve ali uns moshes e rodinhas , headbangers felizes…adivinhem, a peste negra em acção a contagiar-nos, 1349 ao comando, Ravn e seus acólitos deitaram a USF abaixo! Muito bem, eu vi quaaase tudo, quaase porque eu tive de correr para uma outra sala por minutos para não perder um momento histórico, conhecer o Senhor Ihsahn, esse mesmo, o vocalista dos lendários Emperor (agradecimentos a Håkon Grav/PhotoGrave Management pela cortesia em forma de um par de fotos memoráveis!) e devidas vénias e honras e uma foto exclusiva a posar para a minha objectiva, sonho realizado!

Pronto, de volta ao caos, vislumbrar os últimos momentos de 1349 em palco, a sala ainda estava bem composta, era difícil circular, achei melhor ver no balcão da zona VIP, e tirar mais umas fotos em modo panorâmico e observar a unânime reacção do público, só rostos cansados mas felizes. E muitos fans a avaliar pelo número de t-shirts da banda que se viam a circular pelo recinto, (Saludos para Miguel de México!) viajaram de vários cantos do mundo de propósito para ver determinadas bandas do cartaz do Blastfest, e claro, a peste negra de 1349 não foi excepção à regra.  Ok, eu salto de dentro do caldeirão e acuso-me, haha!

Deixei a “zona de conforto” por momentos para ir espreitar como estava a decorrer a actuação dos The 3rd Attempt no Studio  e deu para perceber que recriou mais um pouco de caos e uma enchente de público que tornava difícil a visão, naturalíssimo pois era um dos concertos finais do dia, nada mau, terei de voltar a rever esta banda brilhante. Hora de sentar um pouco e recuperar algumas forças para ver Ihsahn em acção.

Depois de muita agitação, eis finalmente, a hora de um dos concertos mais aguardados na minha agenda, Ihsahn a destilar charme e belíssimos temas dos seus trabalhos a solo, na veia mais progressiva sem esquecer os tempos passados com Emperor sob a forma de medley, que fizeram as delícias dos fans mais aguerridos que preenchiam as primeiras filas.

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E assim, termina a minha aventura pelo Blastfest, muitas emoções, corpo e coração cansado, mas alma cheia e feliz com muita recordação, quero agradecer em especial a Lil-Ann Elmgren pelo carinho e amizade, Toni Törrönen e Andrew Pennington pelo acolhimento cinco estrelas, a toda a equipa do Blastfest, passando por seguranças e merchandisers, a todos os amigos que me apoiaram durante o festival (you know who you are!) e claro, à equipe do Festivalando por ter acreditado em mim e por me ter dado esta oportunidade de colaboração. Até uma próxima visita!

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