Blastfest. PH: Sandra Nunes

Blastfest 2016: Uma estrutura quase inabalável na celebração do metal norueguês

O Festivalando contou com a colaboração de Sandra Nunes,  [email protected] [email protected] assídua na casa para poder contar para vocês como foi o Blastfest 2016, grande festival norueguês que acontece em Bergen. Esse é o  texto que avalia a estrutura do festival. Será que mais esse norueguês passou no teste de qualidadedo Festivalômetro? 😉

ESTRUTURA DO BLASTFEST – por Sandra Nunes

Enquanto os relatórios sobre os dias 2 e 3 do Blastfest vão sendo elaborados, podemos aproveitar já para olhar de relance para a estrutura deste festival, que se realizou em dois lugares, o pequeno Bar/Club Garage, com lotação para cerca de 300 pessoas, e que no primeiro dia esteve mesmo a rebentar pelas costuras, pois nem havia ingressos para esse dia, ao passo que havia bilhetes diários para os restantes dias; e a United Sardine Factory, abreviada para USF Verftet, que se situa numa zona de armazéns, mesmo junto ao mar e que consiste numa antiga fábrica de sardinhas em lata agora recuperada como área multicultural, única em tamanho e variedade para eventos e gerida pela fundação Stiftelsen Kulturhuset, com o apoio do departamento de cultura da Câmara Municipal de Bergen, digo-vos que o espaço está muito bem aproveitado, a USF conta com 3 palcos, um principal que é o Røkeriet, que leva cerca de 1100 pessoas e que se situa no rés-do-chão, um mais pequeno que é o Sardinen que leva cerca de 300 pessoas e que fica próximo do Røkeriet e no primeiro andar tem outro palco que é o Studio, para uma audiência mais pequena ainda, 150 pessoas.

Devo dizer que andei meio perdida no primeiro dia a procurar o Studio (escadas e mais escadas, portas fechadas e pouca informação) para poder ver algumas bandas e acabei a repousar um pouco na área de entrevistas, mas é natural que aconteça enquanto alguém não conhecer bem os cantos à casa, é uma questão de lá voltar. 

Para além da área VIP, cujo acesso era feito na área do palco principal através de dois lances de escadas, com um grande balcão de vista para a frente do palco, e que tinha pelo menos outros acessos para a área do merchandising e demais exposições, tinha também um pequeno bar, com zona de wi-fi e carregamento de baterias.

Transporte

Vamos então tentar alinhar estes tópicos, no que toca aos transportes, a maioria dos festivaleiros preferia deslocar-se a pé, já que o local do festival fica a uns 15, 20 minutos do centro, nada de complicações, com a ajuda de um GPS ou de um mapa, seguir umas ruas em frente, subir uma encosta e descer um pouco e já está; mas para os que não aguentavam, era ver táxis aqui e ali, o que não aconselho porque os táxis são muito caros; quanto a outros tipos de transporte como o bus, não vi passar se bem que havia um ou outro que devia ser só duas paragens e já estávamos em caminho, mas o melhor é andar a pé, só ou acompanhado, porque o caminho tem umas vistas lindas para serem apreciadas, Bergen é encantadora.

Informações

Sobra a informação do festival em si, achei um pouco fraca ou mesmo nula em termos de actualizações através de aplicações para smartphones, de resto era suficiente até nas redes sociais mas poderia ser melhor em termos de informar as pessoas no local sobre as salas e os horários, pois houve umas pequenas alterações no segundo dia e fiquei um pouco perdida sobre um par de bandas, informação era só exposta nas paredes, género papéis impressos nos palcos antes dos concertos, o pior era mesmo para o palco Studio no andar superior, que devido às duas entradas era difícil lá chegar, ainda com setas de localização era meio confuso.Talvez um mapa em exclusivo sobre a USF devesse ajudar nesse sentido.

Hidratação e Comida

Agora sobre a hidratação e alimentação, a bebida essencial era gratuita e disponibilizada ao canto nos bares em jarras com copos ao lado para o pessoal se servir…já estou a imaginar-vos felizes…”eia, é cerveja da boa…” nem pensar…hehe, água, águinha é muito importante, a cerveja é sempre mais cara pois quanto mais álcool, pior é, a água é o que realmente mata a sede, e sim, aproveitei para beber água durante o festival para me manter hidratada já que em termos de alimentação, apenas umas barras de cereais e uns chocolates desenrascavam, pois eu não confio nos preços das sugestões alimentares que tinham no restaurante perto do palco principal, o Kippers, cujos preços são em norma médios, mas a fugir para o caro, pelo que optei por evitar esse espaço, se bem que oferecia uma linda vista para os fjordes, mas isso fica para uma próxima visita mais relaxada e não tão corrida como em festivais.

Mas na zona dos bares tanto na área VIP com nas proximidades do palco principal, havia uns snacks com salgados e preços…salgados…80 coroas…mas se a fominha de facto apertava, era ir ao lado de fora junto da entrada, uma tendinha que vendia burgers por 50 coroas, pequenos para alguns mas talvez dependesse da fome.

Conectividade

Agora aqui vai mais um ponto fraco a ser melhorado, a questão da conectividade, bem fraca nos primeiros dois dias, que até o streaming tinha falhas, mas melhorou um pouco a partir do 3º dia, isto na USF, porque no Garage, só mesmo o roaming e alguma sorte.

Limpeza

A limpeza era fantástica, assim que acabavam os concertos lá vinham as equipas retirar copos do chão ou algo do género, os WCs estavam impecáveis, por incrível que pareça, das vezes que lá fui estava tudo limpinho, nem um único papel no chão. Nota 10 mesmo!

Segurança

Mais outro ponto positivo a favor do Blastfest em termos de segurança, não presenciei nenhum tumulto, os seguranças que conheci foram amigáveis e prestáveis, qualquer dúvida estavam sempre prontos a ajudar. Só faltou mesmo um pouco mais de informação para quem não conhece o local, mas a estratégia usada pela organização em conjunto com o departamento de Turismo de Bergen, com o aval da Câmara Municipal, funcionou bem, uma pasta com brochuras e mapa sobre a cidade e brindes promocionais do festival, só deveria ter chegado um pouco mais cedo, por exemplo, um dia ou dois antes do festival, para podermos usufruir de todas as vantagens e condições de visitante de honra da cidade em torno do festival. Oh, e os earplugs oferecidos na entrada deram um jeitão a quem não os tinha 

Garage, Bergen. ph: Sandra Nunes

Garage, Bergen. ph: Sandra Nunes

A venda de bilhetes tinha corrido bem, feita antecipadamente online via Ticketmaster Norway, e esgotados estavam os passes normais para o festival completo bem como os passes VIP – que dão acesso ao bar e área VIP, filas prioritárias para os shows e acreditações; os bilhetes de 4ª feira (1º dia) e os passes VIP para 3 dias. De resto ainda se conseguiam arranjar bilhetes/passes normais para os restantes dias, que eram vendidos à porta da USF. Sobre os chamados ATMs ou caixas automáticas para levantamento de dinheiro, não havia na USF nem no Garage, mas era possível utilizar cartões de crédito/débito na compra de merchandising e bebidas.

Quanto à pontualidade dos shows, esta verificou-se sem problemas; o pessoal foi bastante hospitaleiro, só faltou um pouquinho de mais informação detalhada sobre o espaço do festival em si e melhorar um pouco mais em termos de menus alimentares para vegetarianos, porque os do restaurante eram muito mais à base de carnes e peixe ou fritos, se bem que os preços não eram para qualquer carteira.

Mas em geral o Blastfest esteve bem, é só melhorar nos aspectos já focados e referidos. Afinal esta foi apenas a 3ª edição, acreditamos que o festival melhore ainda mais para continuar a figurar no topo dos nossos preferidos.

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Transporte9
Informações7
Hidratação e comida8
Limpeza e banheiros10
Conectividade5
Segurança10
Alguns escorregões apenas na conectividade e na concessão de informações. No geral, o Blastfest foi um sucesso e entrou pra o hall dos festivais acima da média aqui em nosso ranking.
8.2

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