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6 maneiras de ter contato com a cultura local em viagens para festival de música

Quem sai do avião direto para um festival e de um festival direto para o avião não sabe o que está perdendo! Existem formas tão simples para ter contato com a cultura local em viagens para festival de música, tão divertidas e tão interessantes que você agora vai pensar diferente quando planejar sua viagem. Esse post é para te contar sobre algumas delas, as quais sempre praticamos quando estamos festivalando por aí. Podemos garantir que são sucesso, inclusive 😉

Muita gente fala que não tem tempo, e que precisa fazer uma viagem super rápida, sair de um aeroporto a outro para ver mais festivais, talvez. Entrar em contato com a cultura de outro povo, entretanto, pode estar nos mínimos detalhes da sua viagem.

Você não precisa fazer um super tour super completo pela cidade visitada para entender um pouco do modo de vida das pessoas que ali estão. Não necessita também sair de lá com uma lista de 10 museus visitados. Existem tantas formas de interação culturais possíveis quanto caminhos para você chegar lá e interagir. Algumas possibilidades:

1. Diga “oi” para o sua/seu vizinha/o

Seja a pessoa vizinha alguém que está na barraca ao lado ou de frente para a sua no camping do festival, seja a pessoal ao seu lado no show, a pessoa à sua frente na fila da bebida, ou a pessoa no acento ao lado do metrô: diga “oi”! É sério, pode parecer muita intromissão, mas a gringolândia não pensa muitas vezes antes de se dirigir assim a nós em festivais. Sem grilo ou pensamento de inferioridade latinoamericano, diga um bonito “oi”! Claro que é preciso ter o feeling do momento, saber qual pessoa seria mais adequada ou não para receber nosso amistoso “oi”.

Com um simples “oi”, “bom dia” e outros triggers de comunicação informal, às vezes conseguimos ter conversas super interessantes com os nativos e habitantes daquela cultura. E mesmo que a conversa inicial seja bem rasa, pode ser que você tenha um convite para uma bebida mais tarde, para se juntar ao grupo delxs e entender um pouco como agem em situações de descontração, por exemplo.

Também vai dar para perceber como é de fato essa tal distância social que muita gente costuma atribuir a algumas culturas sem vivencia-las. Foi o meu caso com a Noruega, por exemplo. Sempre com aquele estereótipo do povo black metal, anti-social na cabeça, da distância do gelo etc na cabeça, quando experimentei dizer “oi” fui surpreendida por uma cultura muito mais calorosa do que eu esperava. Norueguesxs são uma fofura, gente!

2. Ande de transporte público

garota na estação de trem

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Eu costumo dizer que o transporte público de um país é indicativo de um montão de coisas. Pelo cumprimento ou não de horários, você percebe um pouco de como cada cultura encara parte das relações com o tempo, por exemplo. Também quando existem pessoas das mais variadas classes, raças, credos usando o mesmo transporte público, entende-se bem a relação dessa cultura com hierarquias sociais, qualidade de vida e distribuição de renda. Na Dinamarca, por exemplo, você vê desde a pirralhada estudante, até o político, artista, professor e um investidor dentro do S-tog.

Além disso, é no transporte público que muitas vezes você vai poder observar, sem muitas paranoias e ou julgamentos, como as pessoas se vestem, conversam entre si, falam ao telefone, sorriem ou não, prezam pelo silêncio ou não. Você pode observar tranquilamente, sem ser taxado de maniacx, hahaha.

É também aí que muitas vezes vai precisar de ajuda, de perguntar coisas a pessoas e ver como é a relação delas com estrangeiros, e até mesmo com a cidade – por exemplo, algumas culturas vão te precisar tudo em quilômetros, minutos e outras medidas precisas, como foi o que aconteceu comigo na Holanda. Outras culturas – por exemplo a minha, mineira, hahaha, as pessoas vão ser bem menos precisas, e falar que “tudo fica ali pertim, sô”, hahaha!

Tretas locais

Nem sempre os contatos são os mais agradáveis, mais isso diz um pouco da cultura local também. Quando Eu, Pri e Paula estávamos em um tram em Budapeste, indo para o Sziget Festival, alguns jovens perguntaram de onde éramos e se estávamos ali pelo Sziget, festival sediado na cidade. Respondemos e logo eles replicaram, falando que odiavam brasileiros, tal como odiavam o tal festival. Conversando com a Paula, que à época morava em Budapeste, ela nos disse que os moradores de Buda não aprovam em nada o Sziget, pois devido à sua internacionalização, o festival possui preços excludentes para os próprios húngaros, que além de não poderem participar, ainda precisam aturar a sobre-movimentação causada pela festival na cidade – no sistema de transporte público, por exemplo.

3. Vá a um restaurante de comida típica ou mercado de comidas

comida dinamarquesa

Smorebrod, sanduíche dinamarquês. PH: RadkaEf via Shutterstock

Apesar de sempre ser adepta ao supermercado, algo que nunca deixo de fazer é visitar pelo menos um restaurante de comidas locais/mercados de comidas. Claro que um só restaurante não responderá por toda a cultura gastronômica local, mas já vai dar para se ter uma boa ideia de como são as coisas em um dado país.

Por exemplo, quando eu estive em um restaurante típico da Noruega, percebi que a tradição viking de comer muito estava mantida. Talvez tenham sido os pratos mais fartos que eu comi em toda a Escandinávia. A Dinamarca já tem um toque mais fancy, a culinária moderna, mas ainda sim bastante influenciada pelos antepassados e pela proximidade ao mar.

Assim como estar na Bélgica e na Holanda é entender que todos os pratos sempre virão com um generoso, bem generoso acompanhamento de batatas fritas deliciosas!

4. Pegue um jornal local para dar uma olhada

Muitas vezes a gente não vai conseguir ler a língua estrangeira, né? Mas quem disse que leitura só se faz das letrinhas? A gente lê imagem também, lê cores, lê a disposição e a forma como os elementos de uma página de jornal estão dispostos. Por isso, dar uma folheada em jornais locais é super legal para entender mais ou menos como eles gostam de representar fatos, pessoas, coisas!

Em muitas cidades europeias existe um jornal local no metro, que é gratuito – mais um incentivo para você! Eu sempre lia o Metro, jornalzinho do trem lá na Dinamarca. Ele tem mais ou menos o formato desses jornais tablóide (aqueles menorzinhos, que geralmente, se torcer, sai sangue aqui no Brasil…). Porém, há uma grande diferença entre o que o dinamarquês traz na capa, comparando-se aos do Brasil. Por exemplo, na Dinamarca não colocam mulher pelada estampando a capa… já aqui, é prática corrente. Seria reflexo de uma cultura e sociedade muito mais atenta às questões de gênero e relações desiguais entre homens e mulheres?

5. Visite um museu nacional

A indústria do turismo em qualquer país vai querer fazer com que você gaste, e gaste muito. Por exemplo, a primeira vez que cheguei em Praga, me deparei com o Museu da Tortura Medieval, achando que aquilo ali era bem específico da República Tcheca. Daí, foi só pisar em mais uma meia dúzia de capital europeia para perceber que todo mundo tem um Museu da Tortura Medieval, hauahauahau; claro que essa tortura medieval diz de uma cultura comum na Europa, de algo que marcou a história de vários países. Mas também sabemos que a Europa é uma colcha de retalhos, e que cada povo tem cuturas muito distintas entre si.

Não adianta muito, também ficar indo a um monte de museu de arte, pois muitas vezes são espaços demasiadamente internacionais, com artistas vindos de vários lugares. Caso tenha que optar por algum tipo de museu para conhecer a cultura local, eu sugiro os museus nacionais, pois eles são um mix de tudo. Tem obra de arte de nativos, tem costumes, roupas típicas, arquitetura, culinária. Igual essa experiência bem legal que tive em um museu nacional da Dinamarca, que ainda é um dos maiores museus a céu aberto da Europa.

6. Vá a um concerto musical na cidade

crowd surfing

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Claro que não poderíamos deixar de falar sobre aquilo que nos motiva na vida, né? Música! Nada melhor para dizer se estamos diante de uma boa cultura. Gente que dança, pula, vibra com a música má gente não é, hahahaha. Bom, tirando a brincadeira e a máxima agora inventada que pode ser bem mentirosa, rs, ir a um concerto vai dar um monte de pistas sobre a cultura local.

Pois é aí que você percebe a diferença. Muitas culturas são mais reservadas, contidas. As pessoas não se doam tanto aos artistas – como é o caso de nóix, os BR muito loki, hauahau. Por exemplo, pude perceber diferenças culturais dentro de um mesmo país, a Holanda: ao norte, pessoas muito contidas. Ao sul, na fronteira com a Bélgica, pessoas mais devotadas, de corpo presente no concerto. É claro que todas essas palavras que disse já deixam embutidos um monte de julgamentos. Porém, é bom relativizar que cada cultura tem seu próprio modo de fruição musical, e que não podemos fazer do nosso modo o padrão de qualidade.

Os concertos de bandas locais também são fantásticos. Adoro ouvir como soa a música em outras línguas, ver também como os artistas e público usam suas linguagens corporais.

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Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer com 2 colegas um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário sobre as Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Foi por paixão também que larguei um emprego público, para me aventurar pelo mundo dos festivais com a Pri.

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