momentos épicos do rock in rioFernando Nipper/Grudaemmim/Divulgação

5 momentos épicos do Rock in Rio

Está cada vez mais perto o Rock in Rio, e a gente já começou a te dar dicas para você se preparar para o festival – demos um toque importante sobre o transporte e dicas práticas para os marinheiros de primeira viagem na Cidade do Rock. Mas, no ano em que o festival completa 30 anos, fica difícil não olhar para trás e fazer aquele “momento retrospectiva” básico.

Há muito o que se lembar das cinco edições do Rock in Rio no Brasil, sejam as birrinhas da porção mais infantil da tchurma headbanger convertidas em agressões contra artistas nacionais ou tretas como o boicote de bandas brasileiros feito em 2001, mas… vamos falar de coisa boa? Vamos falar de coisas épicas, já que o Rock in Rio por si só já nasceu épico?

Sim, amiguinhos. Foi de uma loucura e coragem tremendas trazer para o Brasil os maiores astros da música internacional para um festival de proporções semelhantes aos eventos gringos, em pleno 1985, com o país envolvido em uma importante transição política, uma economia horrorosa e pouquíssima tradição no showbiz. E fazer isso dar muito certo foi um EPIC WIN do tio Medina.

É claro que esta lista, como qualquer outra, tem o defeito de ser incompleta, insatisfatória e não ser definitiva, e aqui o sentido de épico varia muito. Mas serve pelo menos para lembrar que momentos memoráveis sempre perseguiram o Rock in Rio.

Debaixo de chuva, Axl Rose canta de galo às 5h da manhã (2011)

Um atraso de 1h30 não seria suficiente para chamar a apresentação de Axl e cia. em 2011 de épica, até porque, você sabe, um show do Guns sem atraso não é um verdadeiro show do Guns. Só que este atraso tão corriqueiro veio acompanhado de outros elementos que o tornaram único e ~especial~.

Uma chuva torrencial desabou sobre a Cidade do Rock logo após o show do System of a Down (atração que precedeu o Guns) e simplesmente não parou de cair. Axl e banda só entraram no palco às 2h40 e encerraram o show beirando as 5h, horário em que o galo deveria estar cantando, e não o Axl. A chuva não deu pausa, Axl começou o show dando “bom dia” e usando uma capa de chuva amarelo-ovo; o guitarrista tocou “Sossego”, de Tim Maia, para agradar a galera; e no dia seguinte ouve troca de acusações entre a banda e a produção do festival sobre quem era o real culpado pelo atraso.

Ah, Axl só foi chegar ao Brasil exatamente no domingo, dia do show, tendo deixado todo mundo apreensivo sobre sua presença ou não no Rock in Rio. O dia já prometia, né?

Nudez e capoeira no palco do Queens of the Stone Age (2001)

Ainda bem que o Queens of the Stone Age não virou apenas a banda “do cara pelado”, mas esta é a principal lembrança daquele show. Foi épico ver Nicki Oliveri esfregando seu, digamos, pacote não só no baixo que ele tocava como também na cara da (i)moralidade tão mal-resolvida e tão enraizada na formação do nosso país, desde aqueles tempos em que os portugueses chamavam as genitálias das índias de “vergonhas”, mas não hesitavam em admirá-las e acentuar a beleza superior em relação à anatomia das europeias (anotou Caminha na cartinha que mandou pra Portugal: “suas vergonhas tão altas e tão cerradinhas, e tão limpas das cabeleiras, que de nós muito bem olharmos”).

Mas foi ótimo também ver um festival tão mainstream como o Rock in Rio dar espaço para uma banda que à época ainda tinha um status mais alternativo (thanks, Rock in Rio, por me apresentar o QOTSA!). Foi ótimo também ver como a banda passou por cima da persistente animosidade da plateia dos dias mais pesados do Rock in Rio e lascou um foda-se de exatos 18 minutos de duração: o show foi encerrado com uma versão mais que prolongada da já extensa “You Can’t Quit Me Baby”, complementada com a presença de um grupo de capoeiristas no palco, que não só jogaram e lutaram, como também tocaram instrumentos típicos. Uma versão única da música, e um dos poucos registros ao vivo que se tem pela internet desse formato mais extenso (a partir dos 38min, aproximadamente, no vídeo abaixo).

Rever o show é uma beleza, pois ele conserva um retrato da banda que já não existe mais: Nick Oliveri ainda dividindo o post de band leader com Josh, este, por sua vez, com cara de moleque, mas já com uma presença difícil de se ignorar.

Hoje headilner de dezenas de festivais pelo mundo, mas tão bom quanto antes, o Queens of the Stone Age está de volta ao Rock in Rio neste ano, no dia 24 de setembro, no palco Mundo.

BeyoncÉPICA dançando funk (2013)

Este é um episódio exemplar para os artistas gringos que ainda apostam na camisa da seleção ou na bandeira do Brasil para agradar a plateia: é pouco, é clichê, é óbvio, é preguiçoso. Apenas PAREM. Beyoncé e sua produção se deram ao trabalho de inserir no show um agrado muito bem contextualizado, quente, cheio de vigor: uma performance do “Passinho do Volante”, über hit do MC Federado e os Lelek’s. Nem um português fluente de Beyoncé teria ajudado a dialogar de uma maneira tão direta com o público ali presente, a cidade do Rio e o Brasil.

Cássia Eller sendo Cássia Eller (2001)

Não foi só porque ela fingiu coçar o saco, cuspiu água na plateia ou mostrou os seios, mas porque ela fez isso com uma espontaneidade e alegria que contrastam com a agressividade, banalidade ou rebeldia que esses gestos podem ter, e tudo isso enquanto botava Chico Buarque e Nirvana no mesmo repertório com interpretações que chegavam praticamente a se apropriar das versões originais em alguns casos. Rapaz, haja personalidade.

Cássia morreria no fim daquele ano. Cinco anos depois, o show seria lançado em formato DVD, se transformando em um dos grandes registros ao vivo de sua carreira. Neste ano, Cássia será homenageada no Rock in Rio com um show especial no palco Sunset, no dia 18 de setembro. Além de membros de sua banda original, participarão da homenagem Nando Reis, Arnaldo Antunes, Zélia Duncan, Mart’nália, Emanuelle Araújo, Xis, Julia Vargas, Filipe Catto, Tacy, Fabão e Márcio Mello.

Love of My Life. Apenas. (1985)

Difícil fugir do momento em que Freddie Mercury regeu um coro de 250 mil vozes, um número acachapante para qualquer evento voltado para multidões. Mas não é só porque a execução de “Love of My Life” em 1985 virou um dos momentos símbolo do festival, é também porque ele sintetiza bem aquela ideia do EPIC WIN que foi o primeiro Rock in Rio.

O festival já nasceu gigante e continua provocando alvoroço e insanidade nas vendas de ingressos, que sempre se esgotam sem que ninguém saiba quem vai tocar. Virou uma marca que muita gente tem o desejo de consumir e ostentar. E se hoje estamos importando festivais, como Tomorrowland, Electric Daisy Carnival Brasil e Lollapalooza, há 30 anos o Brasil fabricava um festival que viria a ser exportado alguns anos depois (para Portugal, Espanha e Estados Unidos).

Por razões óbvias, o Queen vem ao Rock in Rio deste ano. A banda encerra a primeira noite de festival, no dia 18 de setembro, no palco Mundo. Neste podcast, já dei a dica pro Medina se virar e arrumar um holograma do Freddie pra causar na hora de “Love of My Life”.

PS 1: O Barão com Cazuza à frente cantando “Pro Dia Nascer Feliz” é um momento lindo, cheio de esperança em meio à campanha das Diretas. Mas aí a gente lembra da morte do Tancredo meses depois, daquele bigodudo do partido da ditadura assumindo o poder, do impeachment que viria poucos anos depois… Ok, parei.
PS 2: Este post foi escrito enquanto eu ouvia o show do Metallica em 2011, também épico à sua maneira
PS 3: Publicamos dois relatos maravilhosos de leitores que estiveram no primeiro Rock in Rio. Um da Kennia Trevizani e outro do Camilo Lucas.

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

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