Foto: Diogo Ciampolini

3 Barras Uderground Open Air, por Diogo Ciampolini

A nossa sessão [email protected] [email protected] tem recebido contribuições dos [email protected] mais bacanas que existem por aí. Hoje, por exemplo, nosso leitor convidado tem até um canal do You Tube, para falar dos festivais dos quais ele participa. Vocês já devem ter visto por aí – e se não viram ainda, aconselhamos fortemente, o Metal Waste TV , canal idealizado e produzido pelo Diogo Ciampolini. Lá você garante boas doses de humor e ainda dá uma sacada na vibe de festivais muito legais.

Mais do que um metaleiro ativo nos eventos locais, o Diogo é um caçador de festivais underground. Já rodou do Rio Grande do Sul ao Maranhão atrás de festivais pelo Brasil. Em 2014, mesmo ano em que o Festivalando deu o ponta pé nessa parada de turismo para festival, o Diogo também fez uma metal trip pela Europa, passando por quatro festivais, como o Wacken e Brutal Assault.

Como não rolou de a gente ir para o 3 Barras Underground Open Air – o que lamentamos muito =( o Diogo querido se ofereceu para fazer uma cobertura, matar a nossa curiosidade e a sua. Leia que ele te dá em detalhes bem ricos no texto, te mostrando com muita precisão como foi esse festival. Também tem um vídeo muito massa no Metal Waste TV. Bora?

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RESENHA 3 BARRAS UNDERGROUND OPEN AIR, POR DIOGO CIAMPOLINI

Em sua segunda edição e ainda bem pequeno, o 3 Barras Underground realizado em Santa Maria-RS, conta com ótimas bandas e um cenário perfeito para você sair da realidade e curtir um fim de semana regado a metal, churrasco e boa cerveja.

LOCAL E CLIMA

O local escolhido foi um camping na área rural a 15 minutos de Camobí, bairro de Santa Maria com uma segunda estação rodoviária, bastante próximo ao festival. Apesar do pessoal da cidade confirmar a existência de um ônibus de linha que leva até o camping, todo o público foi de carro ou moto até lá. O caminho foi sinalizado com algumas pequenas placas pouco maiores que uma folha sulfite, algo que deve ser melhorado em futuras edições.
Grama e churrasqueiras rodeavam todo o local, além de um rio com águas tranquilas para o público aproveitar sem medo. Apesar da chuva na noite anterior, o festival foi presenteado com dois dias de sol para a alegria de quem acampava lá.

INFORMAÇÕES E MARKETING

O festival ainda em seu início não conta com site, e as informações se limitam a “descrição do evento” no Facebook e as publicações feitas pelos organizadores através da página do evento. Um costume infelizmente muito comum no cenário de metal brasileiro, o que dá aos eventos um ar amador e muitas vezes duvidoso. Outro ponto complicado mas comum em festivais pequenos foi o de “ingressos via depósito bancário”, algo ainda aceitável (pelas vias do bom senso) para festivais iniciantes que precisam enxugar os custos ao máximo, mas que deve ser substituído por um método de pagamento mais profissional o quanto antes. Por outro lado o 3 Barras Underground investiu em uma excelente identidade visual para o festival, um ponto sempre deixado de lado por quase todos os eventos brasileiros, contando com um ótimo logo e cartaz para o evento. Algo que deve ser ressaltado, por ser um dos poucos (se não o único) festival no estilo a ter uma identidade visual de qualidade internacional. Faltou mesmo foi o merchandising com no mínimo camisetas e adesivos para serem vendidas no local.

Foto: Diogo Ciampolini

Foto: Diogo Ciampolini

HIDRATAÇÃO E COMIDA

Como é de costume em festivais de camping sulistas, no 3 Barras Underground é permitido entrar com comida e bebidas não alcoólicas e facas de churrasco. Aliás, ao contrário do que se imaginava, foram vistos pouquíssimos metaleiros tomando o famoso chimarrão no evento, prática bastante popular no Rio Grande do Sul. Um ponto que dividiu opiniões foi a adoção do chopp artesanal como única bebida alcoólica vendida no local após as 18h (até esse horário, era possível comprar latinhas de cerveja por R$ 5,00 na mercearia do camping). Por R$ 6,00 e R$ 12,00 respectivamente, você poderia adquirir copos de 300mL ou 700mL. O chopp era bom e foi elogiado pelo público, porém só existe uma bebida que metaleiro gosta mais do que cerveja: cerveja barata. E isso fez falta, muita falta. Houve quem tentasse negociar a compra de latinhas por debaixo dos panos com o camping, quem tentou entrar com bebida escondida. Mas fato é que os bangers sentiram o bolso doer e se controlaram na hora de beber, pra não gastar demais. Em compensação, o que não faltou foi churrasco, todos no camping basicamente se alimentaram de carne durante os dois dias. E pra quem queria comida, o camping oferecia um PF (prato feito) no almoço e janta. Além de um pequeno armazém com alguns ítens essenciais que podiam fazer falta.

CONECTIVIDADE

Como já era esperado, o celular raramente dava sinal de vida e o local não tinha telefone fixo (apenas um de antena que o pessoal do camping custava a fazer funcionar). Porém não houve quem reclamasse disso, na verdade, pode até ser considerado um ponto positivo, pois torna o público totalmente imerso no festival, curtindo realmente o momento, longe de preocupações do dia a dia e possíveis horas perdidas fazendo publicações na internet, algo bem comum nos dias de hoje.

LIMPEZA E BANHEIROS

O camping conta com banheiros espalhados em três pontos do festival. Mas fique esperto! É um camping, leve seu próprio papel higiênico! ….Mas caso esqueça, a mercearia do camping tem rolos avulsos a venda. Durante os três dias em que permanecemos no camping os banheiros se mostraram bastante limpos e sem cheiro forte. Inclusive, um deles permaneceu praticamente intacto. O banho era frio, mas por R$ 3,00 qualquer um podia tomar uma ducha quente. Outro ponto interessante foi a consciência geral dos participantes em não jogar lixo no chão, algo bastante incomum. Haviam pouquíssimos copos no chão, mesmo na área próxima aos palcos!

ESTRUTURA E SEGURANÇA

Foto: Diogo Ciampolini

Foto: Diogo Ciampolini

A estrutura montada pelo festival em si se resumiu ao palco e equipamentos de som. Todo o resto já pertencia ao próprio camping, algo normal para festivais iniciantes. Apesar de ter apenas um palco, o local era coberto e bem estruturado. E sem dúvidas, a cobertura na pista, faz toda a diferença. Uma coisa é assistir ao Iron Maiden de baixo de chuva junto de uma multidão eufórica. Outra é encarar a chuva durante a noite para assistir aquela banda que você ainda nem conhece mas está curioso pra saber como é o som deles. Falando nisso, o som e iluminação estavam muito bons e não deixaram a desejar. Tudo funcionou bem, sem imprevistos para o público. O festival contou com alguns seguranças durante o período da noite apenas. O que apesar de deixar o evento desprevenido durante o dia, não fez falta. Não houve sequer um incomodo ou mal entendido entre os presentes. Tudo ocorreu perfeitamente em paz.

BANDAS E PÚBLICO

Foto: Diogo Ciampolini

Foto: Diogo Ciampolini

Apesar do nome “underground” remeter normalmente ao metal, punk e hardcore, o festival foi além e colocou algumas bandas de stoner e rock instrumental. Algo bastante bacana e que agradou o público em sua maioria, mesmo havendo alguns comentários sobre “poucas bandas de metal” no evento. Alguns destaques do primeiro dia foram “Cartel da Cevada”, com um rock irreverente cantado português e “Fúria Rockpauleira” que apesar do nome brincalhão, foi uma das bandas mais pesadas a se apresentar na primeira noite. No sábado, o maior destaque fica para a banda Cattarse que apresentou um ótimo stonner em português, sendo uma das poucas (se não a única) a realmente agitar a galera e fazer o público até cantar o refrão à capela antes mesmo de começar a música! Outra grande apresentação foi o Symphony Draconis, banda de black metal que também juntou um grande público e prendeu a atenção de todos, seguida da Mythological Cold Towers que apesar do estilo mais lento, agradou muito os amantes de Doom Metal. Infelizmente devido ao horário de início dos shows (aproximadamente 8h da noite) e ao fato de haver apenas um palco, os shows se estenderam até as 4, 5 horas da manhã, o que fez muita gente ir dormir e abandonar bons shows como foi o caso do Apophizys, uma das últimas bandas de sábado. Algo que poderia ser melhor planejado, especialmente no sábado, onde a maioria do público já está acampado no local e fica bastante ocioso durante o dia. A única banda que não se apresentou foi o Space Guerrilha devido ao baterista ter quebrado o punho um dia antes da apresentação.
O público foi bastante pequeno, aproximadamente 200 pessoas, composto basicamente por homens. As poucas mulheres que apareceram, estavam acompanhadas. Não dando chances para você, solteirão, que pensou em se dar bem por lá. Apesar dos bons shows a empolgação bangers foi bastante tímida. Algo que teve a colaboração da falta de bebida barata durante as apresentações.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em suma, o festival agrada e merece ser reconhecido e apoiado pelo público gaúcho, principalmente pela qualidade das bandas que se apresentam, pelo camping e o palco coberto que são pontos extremamente convidativos. Não há duvidas de que seguindo o formato atual e crescendo de maneira consciente o festival rapidamente cairá no gosto dos metaleiros gaúchos. E com o cenário gaúcho escasso de festivais, o 3 Barras Underground tem tudo pra dar certo na região. Infelizmente o evento acontece sexta e sábado, diferente dos festivais catarinenses que sempre ocorrem durante o fim de semana (sábado e domingo), tornando-o pouco atrativo para quem mora a mais de 4 ou 5 horas de distância. Algo que deve ser repensado caso o os organizadores pretendam tornar o festival conhecido além das fronteiras do Rio Grande. Apesar do camping oferecer uma boa estrutura, o festival poderia dar uma “turbinada” no local durante o evento, oferecendo banho quente grátis e papel higiênico ao público. Porém, isso ainda é compreensível para um evento iniciante com bilheteria baixa. Com certeza apesar dos pontos negativos, o festival se saiu muito bem, deixando a certeza de futuras edições. Contudo, é preciso que na edição de 2016 haja maior apoio do público gaúcho em comparecer, pois festivais como esse, proporcionam uma experiência jamais conseguida com shows em locais fechados dentro da cidade. O público de Santa Catarina já aprendeu isso e conta com vários festivais do estilo. O 3 Barras Underground, pode ser sem dúvidas o primeiro grande exemplo disso no Rio Grande do Sul.

Gostou do festival e ficou interessado em saber mais sobre o evento? Então aproveite para assistir abaixo a resenha em vídeo feita pelo Metal Waste TV, com imagens do local, trechos dos shows e entrevistas do público presente por lá!

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