novidade rock in rio 2017Ariel Martini/I Hate Flash/Rock in Rio/Divulgação

5 lições do Rock in Rio para a vida

Festivais nos ensinam lições. Pode ter certeza disso. Um caso claro e clássico de ensinamentos para mim foi o Rock in Rio. Sei que o festival já acabou e que todo mundo já tá entrando em clima de Lolla (e gente, confesso que até eu tô querendo entrar, pq eles vão trazer Lana e Volbeat <3). Mas eu precisava compartilhar com vocês essas 5 lições do Rock in Rio para a vida, pelo menos para a minha vida festivaleira!

Não sei se vocês vão concordar com as cinco, talvez poderiam ser até mais lições. Mas essas, parece que a cada edição ficam mais marcadas. Já são três edições do Rock in Rio para mim, e com todas essas lições, espero que ainda existam muito mais edições!

#1 Conviver com a diversidade

O Rock in Rio é um festival diverso desde o seu início. Beleza que o nome tem ‘rock’, mas esse ‘rock’ do festival não é necessariamente um compromisso com um único gênero musical. Quando olhamos para a edição de 1985, já havia boas doses de misturas, com artistas como Elba Ramalho e Alceu Valença, Moraes Moreira, Baby e Pepeu, Gilberto Gil, Ney Matogrosso. Tudo isso misturado com Iron Maiden, Queen, Whitesnake. O problema é que de uns tempos para cá as pessoas começaram a ficar intolerantes demais.

Eu, inclusive, era bastante babaca e ignorante. Em 2001, achava bem justo que o Carlinhos Brown tivesse levado aquela chuva de vaias e garrafas. Pensava, “ah, o pessoal tava ali para ver o Guns, né”? Em 2001 eu tinha 16 anos. Hoje, com o dobro da idade eu penso “que bom que o tempo passa e a gente amadurece – pelo menos algumas pessoas…”. O tempo tanto passou como achei maravilhoso curtir o show do Bomba Estereo e Carol Konka. Dancei horrores e curti, porque hoje meu corpo e gosto musical não são mais escravos dos conservadorismos de ‘tribos’.

Não é que você agora é obrigadx a curtir tudo. Mas se a música te traz uma boa sensação, faz seu corpo se mexer, por que não? Apesar dessas ressalvas sobre a diversidade do lineup, não se pode deixar de considerar que sim, o festival faz juz ao nome, apesar de não estar focado unicamente em rock. Neste post mostramos a relação quantitativa de artistas do rock que estiveram presentes nas várias edições do RIR. Se contra números e fatos não há muitos argumentos, então nossa conversa para com a sua leitura deste post aqui.

Foto: Raul Aragão / I Hate Flash/ Rock in Rio Oficial

#2 Parar com a síndrome de vira-lata

Muita gente que coloca defeito em tudo no Rock in Rio, e também no Lolla e outros grandes festivais que rolam no Brasil, essas pessoas raramente estiveram em festivais lá fora. Não digo um ou dois festivais, mas vários, como nós estivemos. Gente julgando cada deslize que os festivais brasucas possam ter cometido em estrutura sem ter visto como os festivais gringos fazem. Nesse vídeo aqui, a gente relata uma série de falhas existentes nos festivais lá de fora. E olha, não são poucas.

O Rock in Rio tem trazido uma estrutura cada dia mais legal. Banheiros, transporte, praça de alimentação, serviços: pode ter certeza, tudo está dentro ou até mesmo extrapola o padrão de qualidade dos grandes festivais gringos. Em transporte, por exemplo, o Rock in Rio é extremamente mais organizado do que o Hellfest, na França.

Mas eu também entendo que esta segunda lição talvez tenha a ver com a primeira. Isso porque muita gente julga o festival pelo seu lineup, não necessariamente pelo todo que é oferecido. Daí, quando nós do metal/rock julgamos o Rock in Rio pelo lineup, obviamente que o festival vai cair em desvantagem, pois não é focado em um só gênero da música. Agora, caso a proposta do Rock in Rio fosse mesmo ser um festival de metal, por inteiro, sem dúvida ele despontaria ali na liderança com vários outros. Mas para essa função já desponta no horizonte o papel do Maximus Festival, não é?

#3 Não esperar mais de um festival do que ele se propõe a dar

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Hick Duarte/I Hate Flash/Divulgação

Essa lição tem a ver com as outras duas. Não dá para pedir que o Rock in Rio tenha um fim de semana inteiro com artistas do metal, gente. No seu cerne o Rock in Rio é outra coisa. Assim que ele é feito, mesclando pop, rock, metal e eletrônica. Claro que dá para criticar uma coisa ou outra. Por exemplo, esse ano o palco Sunset teve bem menos entrada com o metal do que na edição passada, o que é uma pena. Mas também teve outros shows maravilhosos, como Nile Rodgers, Alice Cooper, o próprio sepultura entre outros.

O que não dá é para exigir que o Rock in Rio agora abandone sua essência para atender a uma parcela de fãs que muitas vezes nem levanta a bunda da cadeira para curtir um show legal.

#4 Nunca se entregar a um festival por um único artista

Ir a um festival apenas por um artista é e sempre será uma estratégia meio arriscada, e uma auto sabotagem. Um festival é muito mais do que um headliner. Claro que grandes headliners estão ali como isca, mas se você fica refém desta situação, quando o seu headliner cancela, a coisa não fica bonita. Tudo isso que rolou com a Lady Gaga me fez pensar que as pessoas precisam aprender a estar em um festival para curtir o todo que ele oferece.

Sei que foi uma grande decepção o cancelamento. Mas acho menos pior ela cancelar um show em um festival, que tem um monte de atração legal também, do que cancelar um show solo. No festival, mesmo que sua artista preferida cancele, ainda é possível ter ótimos momentos de diversão e boas doses de entretenimento. Olha como foi legal o show surpresa da Pabllo Vittar.

Quando o seu foco é só um artista, isso te drena energia, faz você ficar o dia todo concentrado, às vezes preso à grade, sem poder ver o festival, interagir e ter um dia saudável, sabe? Cada pessoa pensa como quer, mas que tal dar uma chance a essa nova forma de encarar um festival, sem focar em um só artista? Tenho certeza que você vai curtir!

rock in rio

Raul Aragão / I Hate Flash

#5 Comer pelas beiradas

O Rock in Rio é um festival de um grande público. Cara, 120 mil pessoas por dia, isso é muito mais gente do que a quantidade de gente que vai a cada fim de semana do Wacken, o qual tem o título do maior festival de metal do mundo. Por isso, deslocar-se no festival é um grande desafio, bem como assistir aos shows de perto.

Porém, o que o Rock in Rio ensina que uma das melhores estratégias é comer pelas beiradas. Em três edições de RIR, vi que não dá para medir forças com a multidão. Não mais na minha idade e com a minha vivência. Não rola mais de empurrar, de ficar p*** com o fato de ter gente sentada no meio do caminho. Não dá mais. A melhor estratégia para ver os shows de pertinho é sempre caminhar pelas laterais, encontrar os espaços e tentar educadamente avançar em direção ao palco.

E essa é uma lição que o RIR ensina e que rola para todos os festivais brasileiros. Não rola de brigar com a multidão, não mesmo.

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Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer com 2 colegas um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário sobre as Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Foi por paixão também que larguei um emprego público, para me aventurar pelo mundo dos festivais com a Pri.

4 comments

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  1. Renan 2 outubro, 2017 at 02:36 Responder

    Esse de comer pelas beiradas eu gostei, bem coisa de mineiro mesmo. Eu tenho a sua idade e ainda insisto na teimosia de querer encarar a multidão e ficar bem perto do palco. Acho que preciso repensar meus conceitos e seguir esse seu conselho. Quando eu olho essa mistura de gêneros dentro de um dia no RIR, não tem como lembrar do Roskilde. Como pode entrar num mesmo dia ter Cee Lo Green, Cidade Negra, The Who e Incubus? É essa mistura que faz o Rock In Rio ser diferenciado, apesar de ainda querer que o festival saiba organizar mais seus line ups de acordo com cada gênero. Só espero que na próxima edição o Medina saiba colocar bandas que ainda não tocaram no festival, mesmo que já tenham tocado por aqui algumas vezes. O único defeito que vejo nele é essa teimosia de achar que está na década de 80 e ficar repetindo o mesmo artista diversas vezes. Sobre o Lolla, eu adorei a escalação do Volbeat. Foi uma tremenda surpresa. Pensava que fossem vir para uma futura edição do Maximus 2018. Pena que vão tocar de 1 hora a 50 minutos. Eu só lamento esse pensamento egoísta do povo que acha que o festival tem nome do gênero e acha que deve ser só rock. Aqui no Brasil o rock anda meio caído e o pop cada vez ganha força, já que a produção do evento sabe que dá lucro. No mais, eu achei um bom festival, mesmo com algumas ressalvas sobre o line. Que venha 2019!

    • Gracielle Fonseca 2 outubro, 2017 at 21:23 Responder

      Muito bom, Renan! Heheeh, pois é, só na mineiridade para sair do festival nem tão esgotada, hahaha. Eu também espero que o Medina traga bandas que não tocaram antes. Até acho que ele tem feito esses esforços. Agora, sobre o Volbeat, vai ser show de festival no Lolla, mas vai ser legal. Espero que seja de mais tempo, pelo menos. Eu os vi no Graspop 2016 e quase cometi a heresia de dizer que o show dos caras foi melhor do que o show do Black Sabbath hahahahaha… pq foi mto foda, mesmo embaixo de chuva a multidão estava insana, enquanto no show do Sabbath a galera estava um pouco morninha. E sobre essa sua impressão sobre o Rock andar meio caído, olha, ele não cai, não sai de moda, mas há alguns problemas…e não é só no Br. Ele precisa urgentemente de reencontrar suas raízes e rebeldias, pois outros gêneros estão muito mais “rock n roll” do que o próprio rock, muito mais subversivos. Por exemplo, é uma grande pena que nenhuma artista do rock atualmente no Br tenha as mesmas problematizações e provocações trazidas pela Carol Konka em sua música, uma artista de outro gênero musical, mas que é rock n roll pra kct, entende? O problema, para mim, não é a mistura com elementos pop. O problema do rock, para mim, é a perda de contato com o subversivo. Tá muito rock engravatado na minha opinião,muito certinho e milimetrado, hehehe.

      • Renan 3 outubro, 2017 at 01:01 Responder

        Então Gra, é por aí. O festival cresceu e é esse o escopo que precisa ser mantido para futuras edições. Mas a minha principal queixa é quanto a qualidade das bandas. Parece que as atrações são apenas um complemento. Tem gente que vai pelas outras coisas, mas eu vou pelas bandas. Esse mês de setembro teve Airbourne e Enslaved que fui e teve The Cult. Eram atrações que tocariam fácil no evento e que fariam grandes shows. Falta mais bandas internacionais e inéditas. Nem me importo em repetir bandas, desde que nunca tenham tocado no festival. Sobre as atrações brasileiras, ninguém quer sair da sua zona de conforto, principalmente quem ralou e tá numa situação confortável. Sempre vai haver o mainstream e aqueles que viverão a margem dele. Falta mais atitude e colhão por parte de muitos artistas. Karol Conka e Baiana System fizeram boas apresentações, apesar de não curtir muito seus sons. Acho que falta resgatar a antiga Tenda Brasil de 2001 e transformar num palco para novos artistas e veteranos e internacionalizar ainda mais o Sunset. A curadoria do festival precisa se antenar mais e olhar para os festivais nacionais como Goiânia Noise, Porão do Rock, Festival do Sol e Bananada, para que essa nova geração tenha mais chance de tocar no RIR. É só olhar o que o Lollapalooza faz com essas bandas que tocam nesses festivais. Precisa melhorar na organização dos dias do Pop e do Rock, tipo centralizando as atrações dentro desses dias. Se o Rock In Rio seguir esse caminho, sem dúvida vai caminhar para uma grande evolução. Só me desculpe pelo textão. Quando o assunto me empolga sai isso, hehe. Mudando de assunto, o que você achou do novo álbum da Myrkur? Eu curti demais. Tem muita crítica boa sobre ele. Só acho o primeiro um pouco melhor.

        • Gracielle Fonseca 3 outubro, 2017 at 10:39 Responder

          Imagina, Renan! A gnt adora seus textões. E concordo com muita coisa doq vc disse! Ah, sobre Myrkur <3 Amalie se supera, ela é foda. Gostei mto do novo álbum, gosto mto do primeiro, acho ela uma artista completa, musicista melhor que vários choromi do black metal q acham que tocar com velocidade é tocar muito...ah se velocidade fosse a única coisa que importasse na vida...Mas então, boas críticas têm surgido, existe um sinal de reconhecimento, que é mais forte lá fora. Estou super curiosa para saber até qdo o principal veículo de metal do país vai continuar ignorando Myrkur... mas ela não é gostosona, nem faz estilo musa... vamos ver se eles vão me surpreender...

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