10 motivos para libertar os metaleiros dinamarqueses da alcunha de “público sem sal”

Podemos confiar que o público é o termômetro de um show? Nem sempre. Às vezes grandes festivais e grandes shows são recebidos por públicos mornos, zumbis, mortos e caquéticos. Jeff Walker, vocalista do Carcass que o diga. Foi exatamente no Roskilde  Festival na Dinamarca que ele deu piti por não se contentar com um público metaleiro morto e sem sal, como a gente havia dito nesse post aqui. E o show definitivamente não foi dos piores. Mas, devido à lombeira durante o festival, o público da metaleiragem dinamarquesa estava destruído, jogado às traças, pedindo pra sair.

Depois dessa situação, nada me fazia crer o contrário de que ser metaleiro na Dinamarca era uma coisa muito chata, muito sem graça. Foi preciso atravessar o país inteiro para presenciar o Aalborg Metal Festival e mudar minha opinião. Encontrei gente animada e saltitante desde o primeiro show até o último. Devido à experiência no Roskilde, comecei a especular motivos para essa diferença:

Primeiro, tem o lance da valorização do produto nacional, que vai desde o pepino plantado na Dinamarca e que chega ao supermercado com a bandeirinha do país e rótulo “dansk”, até à valorização da cultura local. Como o Aalborg Metal Festival tinha muita prata da casa no line up, achei que isso fez a galera se animar mais. A outra hipótese é de que o Aalborg é um festival que tem foco na música – também, ele é dentro de um local fechado e não há muito o que inventar para fazer além de assistir aos shows, e isso faz com que o público se concentre nisso, e não perca as energias para outras coisas. Ainda há uma última especulação: o Crowd safety do Roskilde Festival inibe as atividades recreativas metaleiras durante os shows de festival. Sim, pois se empurra empurra ou recostar-se à grade já eram atos perigosíssimos, imagina stage dive e mosh pit? Então, a falta da puliça da segurança das multidões pode ter dado espaço para os danes ficarem soltinhos.

Assim, mudei de ideia sobre os metaleiros dinamarqueses. Eles não são sem sal. Resolvi mostrar como eu havia feito mau julgamento dos meus amiguinhos vikings. Eles ainda não são grau de metaleiragem insana, como a gente vê aí nos nossos shows do Brasil. Mas, também não são mais aquele pessoal prostrado e paradão. Te dou 10 motivos coletados no Aalborg Metal Festival para te ajudar a concordar comigo:
1. Esse Stage Diving. Uma das mais simbólicas atividades recreativas da metaleiragem parecia estar banida de todos os festivais por aqui, por conta da bábá Crowd Safety. Mas, parece que não. Mesmo tímido, terminando rapidinho, habemus stage diving entre o público dinamarquês!

 

 2. Essa roda/mosh pit viking-folk-dancer. E não importa se logo em seguida você tinha que se fazer de trOOzão no show do Marduk.

3. Esse empurrãozinho educado no colega. Vamos moshar, amiguinho!

4. Esse loirinho calibrando para a festa.

5. Esse coro.

6. Pula, sai do chão…no show do Hatebreed.

7. Esse pescoço sem limites para um banger.

8. Esse mosh gentil, mas ainda sim mosh.

9. Essa despirocagem viking.

10. Como achar ruim um público quando a visão que se tem para todos os lados é mais ou menos essa?

metalhead loreal

Compartilhe este post

Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer com 2 colegas um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário sobre as Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Foi por paixão também que larguei um emprego público, para me aventurar pelo mundo dos festivais com a Pri.

2 comments

Add yours

Deixe uma resposta

Close
Aqui também tem Black Friday! Pacotes pra festivais e seguro viagem até 25% OFFQUERO!
+ +